terça-feira, 6 de outubro de 2009

O dia em que tudo deu errado

uando uma falha ocorre, há apenas atraso, mas não derrota.
É um desvio temporário, mas não um beco sem saída.
WILLIAM ARTHUR WARD

Toda vez que, como mãe, eu preciso de ajuda, me lembro de minha própria mãe e de minha avó, mulheres que plantaram sementes de sabedoria na minha alma.
Num dia daqueles, cheguei em casa e encontrei um insolente segundo aviso de uma conta de gás que não fora paga e meus três filhos quase a nocaute.
Tommy, de onze anos, reclamava de um corte de cabelo malfeito. Teve de agüentar os meninos o chamando de “carequinha”, ele me contou, escondendo a cabeça com as duas mãos.
Lisa estava desolada: apesar de ter estudado tanto para o teste final da segunda série, errara duas palavras.
Jenni, no primeiro ano, fora traída por sua risada nervosa na hora da leitura e tropeçara numa frase.
Olhei aquelas três carinhas desconsoladas com a maior ternura e a imagem de minha avó apareceu sorrindo em minha cabeça:
“Muito bem, queridos, sabem que dia é hoje? É ‘um dia em que deu tudo errado’. Vamos festejar!”
Eles me olharam, surpresos e curiosos. Continuei: “Minha avó sempre dizia que aprendemos mais com nossos erros do que com nossos sucessos. Ela falava que quanto mais uma pedra se desgasta pela ação do tempo, mais longe ela vai ricochetear. Vamos ao McDonald’s para nossa primeira ‘festa do dia em que deu tudo errado’.”
Essa foi a primeira de muitas outras festas por coisas que deixaram de dar certo. Procurávamos o que podíamos comemorar em meio a tragédias, em vez de nos angustiarmos pelo que tínhamos sofrido.
Espero ter plantado nas almas de meus filhos as sementes reunidas pela sabedoria das mulheres que me antecederam. E que essas sementes se espalhem nos seus próprios jardins um dia.

JUDITH TOWSE-ROBERTS