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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O frio que vem de dentro

Conta-se que seis homens ficaram presos numa caverna por causa de uma avalanche de neve.
Teriam que esperar até o amanhecer para receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam.
Eles sabiam que se o fogo apagasse todos morreriam de frio antes que o dia clareasse.
Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.
O primeiro homem era racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura.
Então, raciocinou consigo mesmo: "aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro". E guardou-a protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu um homem da montanha que trazia sua pobreza no aspecto rude do semblante e nas roupas velhas e remendadas.
Ele calculava o valor da sua lenha e, enquanto sonhava com o seu lucro, pensou: "eu, dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso", nem pensar.
O terceiro homem era negro. Seus olhos faiscavam de ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou de resignação que o sofrimento ensina.
Seu pensamento era muito prático: "é bem provável que eu precise desta lenha para me defender.
Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar aqueles que me oprimem". E guardou suas lenhas com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve.
Este pensou: "esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas, nem lhe passou pela cabeça oferecer a lenha que carregava.
Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) Para pensar em ser útil.
O último homem trazia nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido. "esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem mesmo o menor dos gravetos".
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e, finalmente apagou.
No alvorecer do dia, quando os homens do socorro chegaram à caverna encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de socorro disse: "o frio que os matou não foi o frio de fora, mas o frio de dentro".

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Não deixe que a friagem que vem de dentro mate você.
Abra o seu coração e ajude a aquecer aqueles que o rodeiam.
Não permita que as brasas da esperança se apaguem nem que a fogueira do otimismo vire cinzas.
Contribua com seu graveto de amor e aumente a chama da vida onde quer que você esteja.

domingo, 29 de novembro de 2009

Saber viver

No primeiro dia de aula nosso professor se apresentou aos alunos, e nos desafiou a que nos apresentássemos a alguém que não conhecêssemos ainda. Eu fiquei em pé para olhar ao redor quando uma mão suave tocou meu ombro. Olhei para trás e vi uma pequena senhora, velhinha e enrugada, sorrindo radiante para mim. Um sorriso lindo que iluminava todo o seu ser. Ela disse:

- "Ei, bonitão. Meu nome é Rosa. Eu tenho oitenta e sete anos de idade. Posso te dar um abraço?"

Eu ri, e respondi entusiasticamente: "É claro que pode!", e ela me deu um gigantesco apertão. Não resisti e perguntei-lhe: "Por que você está na faculdade em tão tenra e inocente idade?", e ela respondeu brincalhona:

- "Estou aqui para encontrar um marido rico, casar, ter um casal de filhos, e então me aposentar e viajar."

"Está brincando", eu disse. Eu estava curioso em saber o que a havia motivado a entrar neste desafio com a sua idade, e ela disse:

- "Eu sempre sonhei em ter um estudo universitário, e agora estou tendo um!"
Após a aula nós caminhamos para o prédio da união dos estudantes, e dividimos um milkshake de chocolate. Nos tornamos amigos instantaneamente. Todos os dias nos próximos três meses nós teríamos aula juntos e falaríamos sem parar. Eu ficava sempre extasiado ouvindo aquela "máquina do tempo" compartilhar sua experiência e sabedoria comigo.

No decurso de um ano, Rose tornou-se um ícone no campus universitário, e fazia amigos facilmente, onde quer que fosse. Ela adorava vestir-se bem, e revelava-se na atenção que lhe davam os outros estudantes. Ela estava curtindo a vida!

No fim do semestre nós convidamos Rose para falar no nosso banquete de futebol. Jamais esquecerei o que ela nos ensinou.

Ela foi apresentada e se aproximou do pódium. Quando ela começou a ler a sua fala, já preparada, deixou cair três, das cinco folhas no chão. Frustrada e um pouco embaraçada, ela pegou o microfone e disse simplesmente:

- "Desculpem-me, eu estou tão nervosa! Eu não conseguirei colocar meus papéis em ordem de novo, então deixem-me apenas falar para vocês sobre aquilo que eu sei." Enquanto nós ríamos, ela limpou sua garganta começou: "Nós não paramos de jogar porque ficamos velhos; nós nos tornamos velhos porque paramos de jogar. Existem somente quatro segredos para continuarmos jovens, felizes e conseguir o sucesso. Primeiro, você precisa rir e encontrar humor em cada dia. Segundo, você precisa ter um sonho. Quando você perde seus sonhos, você morre. Nós temos tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem desconfiam! Terceiro, há uma enorme diferença entre envelhecer e crescer. Se você tem dezenove anos de idade e ficar deitado na ; cama por um ano inteiro, sem fazer nada de produtivo, você ficará com vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e ficar na cama por um ano e não fizer coisa alguma, eu ficarei com oitenta e oito anos. Qualquer um, mais cedo ou mais tarde ficará mais velho. Isso não exige talento nem ha
bilidade, é um a conseqüência natural da vida. A idéia é crescer através das oportunidades. E por último, não tenha remorsos. Os velhos geralmente não se arrependem por aquilo que fizeram, mas sim por aquelas coisas que deixaram de fazer. As únicas pessoas que tem medo da morte são aquelas que tem remorsos." Ela concluiu seu discurso cantando corajosamente "Rosa". Ela desafiou a cada um de nós a estudar poesia e vivê-la em nossa vida diária.

No fim do ano Rose terminou o último ano da faculdade que começara há tantos anos atrás. Uma semana depois da formatura, Rose morreu tranqüilamente em seu sono. Mais de dois mil alunos da faculdade foram ao seu funeral, em tributo à maravilhosa mulher que ensinou, através de seu exemplo, que nunca é tarde demais para ser tudo aquilo que você pode provavelmente ser, se realmente desejar.

sábado, 28 de novembro de 2009

Quem é mais poderoso

Conta-se que certa vez num longínquo país do oriente, um rei muito prepotente, malvado, numa reunião em seu palácio, pergunta aos sábios do seu reino:
- Quem é mais poderoso, eu ou DEUS?
Os sábios ficaram numa situação difícil, se falassem que era DEUS, ele mandava degolar a todos, se falassem que era ELE, era realmente um absurdo, pois nem ele mesmo iria acreditar ser mais poderoso que o próprio DEUS! O rei percebendo o embaraço deles assim falou:
- Voltem daqui a três dias com a resposta, neste mesmo lugar!
Os sábios preocupados, reuniram-se para pensar, no entanto, a resposta não surgia, até que o mais humilde dos sábios falou:
- Podem deixar que darei a resposta adequada!
O que foi aceito com prazer, mas logo ele que falava pouco, que iria ele dizer? Pensaram os outros.
Chegado o momento, o rei no seu palácio, junto com os sábios, perguntou:
- Sábios do meu reino, quem é mais poderoso, eu ou DEUS?
Nesse instante levantou o sábio indicado e disse:
- Sois vós!
- Mas porque sou eu? Falou o rei com a arrogância que lhe era peculiar.
- Porque vós podeis me expulsar do seu reino, enquanto que DEUS jamais me expulsaria do dele!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O jogo de xadrez

O jovem disse ao abade do mosteiro:
- Bem que eu gostaria de ser um monge, mas nada aprendi de importante na vida. Tudo que meu pai me ensinou foi jogar xadrez, que não serve para iluminação. Além do mais, aprendi que qualquer jogo é um pecado.
- Pode ser um pecado mas também pode ser uma diversão, e quem sabe este mosteiro não está precisando um pouco de ambos - foi a resposta.
O abade pediu um tabuleiro de xadrez, chamou um monge, e mandou-o jogar com o rapaz.
Mas antes da partida começar, acrescentou:
- Embora precisemos de diversão, não podemos permitir que todo mundo fique jogando xadrez. Então, teremos apenas o melhor dos jogadores aqui; se nosso monge perder, ele sairá do mosteiro, e abrirá uma vaga para você.
O abade falava sério. O rapaz sentiu que jogava por sua vida, e suou frio; o tabuleiro tornou-se o centro do mundo.
O monge começou a perder. O rapaz atacou, mas então viu o olhar de santidade do outro; a partir deste momento, começou a jogar errado de propósito. Afinal de contas preferia perder, porque o monge podia ser mais útil ao mundo.
De repente, o abade jogou o tabuleiro no chão.
- Você aprendeu muito mais do que lhe ensinaram - disse. - Concentrou-se o suficiente para vencer, foi capaz de lutar pelo que desejava. Em seguida, teve compaixão, e disposição para sacrificar-se em nome de uma nobre causa. Seja bem-vindo ao mosteiro, porque sabe equilibrar a disciplina com a misericórdia.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O vaso com rachaduras

Conta a lenda indiana que um homem transportava água todos os dias para a sua aldeia, usando dois grandes vasos que prendia nas extremidades de um pedaço de madeira, e colocava atravessado nas costas.

Um dos vasos era mais velho que o outro, e tinha pequenas rachaduras; cada vez que o homem percorria o caminho até sua casa, metade da água se perdia.

Durante dois anos o homem fez o mesmo percurso. O vaso mais jovem estava sempre muito orgulhoso de seu desempenho, e tinha certeza que estava à altura da missão para o qual tinha sido criado, enquanto o outro vaso morria de vergonha por cumprir apenas a metade de sua tarefa, mesmo sabendo que aquelas rachaduras eram fruto de muito tempo de trabalho.

Estava tão envergonhado que um dia, enquanto o homem se preparava para pegar água no poço, decidiu conversar com ele:

- Quero pedir desculpas, já que devido ao meu tempo de uso, você só consegue entregar metade da minha carga, e saciar a metade da sede que espera em sua casa.

O homem sorriu, e lhe disse:
- Quanto voltarmos, por favor olhe cuidadosamente o caminho.

Assim foi feito. E o vaso notou que, do seu lado, cresciam muitas flores e plantas.

- Vê como a natureza é mais bela do seu lado? - comentou o homem. - Sempre soube que você tinha rachaduras, e resolvi aproveitar-me deste fato. Semeei hortaliças, flores e legumes, e você as tem regado sempre. Já recolhi muitas rosas para decorar minha casa, alimentei meus filhos com alface, couve e cebolas. Se você não fosse como é, com poderia ter feito isso.

"Todos nós, em algum momento, envelhecemos e passamos a ter outras qualidades. É sempre possível aproveitar cada uma destas novas qualidades para obter um bom resultado."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mães malvadas

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e mães, eu hei de lhes dizer:
Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com que vão, a que horas regressarão.
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro e fazê-los dizer ao dono: “Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar”.
Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé, junto de vocês, por duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
Eu os amei o suficiente para deixá-los ver, além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em momentos até odiaram).
Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci... Porque, no final, vocês venceram também! E, em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e mães, quando eles perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer: “Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais malvada do mundo”.
As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos de comer cereais, ovos, torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete no almoço, e nós tínhamos de comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. E ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.
Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e “fuçava” nos nossos e-mails). Era quase em prisão! Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem iríamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos.
Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela “violava as leis do trabalho infantil”. Nós tínhamos de tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho que achávamos cruel. Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.
Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade. E, quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata!
Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos; tinham de subir, bater à porta, para ela os conhecer. Enquanto todos podiam voltar tarde da noite com 12 anos, tivemos de esperar pelos 16 para chegarmos um pouco mais tarde, e aquela chata lavantava-se para saber se a festa tinha sido boa (só para ver como estávamos ao voltar).
Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolecência:
Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. FOI TUDO POR CAUSA DELA!
Agora, que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi.
Eu acho que este é um dos males do mundo de hoje.
Não há suficientes mães “MALVADAS”!

Carlos Hecktheuer

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A montanha

Filho e pai caminhavam por uma montanha.
De repente, o filho cai, magoa-se e grita:
- Aiii!!
Para sua surpresa, escuta a sua voz repetindo-se em algum lugar na montanha:
- Aiii!!
Curioso o filho pergunta:
- Quem és tu?
E recebe como resposta:
- Quem és tu?
Contrariado grita:
- Covarde!
E escuta como resposta:
- Covarde!
O filho olha para o pai e pergunta, aflito:
- O que é isto?
O pai sorri e fala:
- Meu filho, presta atenção.
Então o pai grita em direção à montanha:
- Eu admiro você!
A voz responde:
- Eu admiro você!
De novo, o homem grita:
- És um campeão!
A voz responde:
-És um campeão!
O filho fica espantado. Não entende.

E o seu pai explica:

- As pessoas chamam isto de ECO, mas, na verdade, isto é a VIDA. A VIDA dá-te de volta tudo o que DIZES, tudo o que DESEJAS DE BOM E DE MAL AOS OUTROS. A VIDA devolve-te toda a BLASFÉMIA, INVEJA, INCOMPREENSÃO, FALTA DE HONESTIDADE que desejas, e que praguejas às pessoas que te rodeiam. A NOSSA VIDA é simplesmente o REFLEXO das nossas ações.
Se queres mais AMOR, COMPREENSÃO, SUCESSO, HARMONIA, FIDELIDADE, cria mais AMOR, COMPREENSÃO, HARMONIA, no teu coração.
Se agires assim, a VIDA te dará FELICIDADE, SUCESSO E AMOR das pessoas que te rodeiam.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O gato e a raposa

O gato e a raposa andavam a correr o mundo. Eram muito amigos, apesar de a raposa estar sempre depreciando o compadre.
- Afinal de contas, amigo gato, por que não aprende mais truques para fugir dos cachorros que nos perseguem? Sempre ouvi dizer que você é muito inteligente. Será verdade?
- Sei subir rapidamente em árvores, é o que me basta, disse o gato. Vivo muito bem assim. Os cachorros nunca vão me pegar.
A raposa deu sorriso matreiro:
- Você só sabe isso? Pois eu sei 99 truques diferentes ! Conheço mil manhas, cada uma melhor que a outra. Finjo-me de morta, escondo-me nas folhas secas, nas moitas, corro em zigue-zague, disfarço minhas pegadas, sei esconder-me atrás de árvores…
Ela continuaria enumerando todos os seus truques se não ouvisse uma matilha de cães chegando. O gato, mais do que rápido, subiu na árvore mais próxima.
A raposa, perseguida de perto, começou a por em prática todos os seus truques mirabolantes…. Mas tudo foi em vão. Os cachorros acabaram por alcançá-la.
E, lá de cima da árvore, bem seguro, o gato pensou:
- Pobre comadre raposa! É sempre preferível saber bem uma só coisa, a saber 99 coisas diversas. Sempre desconfiei das estratégias complicadas. A melhor solução para um problema pode ser a mais simples.

domingo, 22 de novembro de 2009

Opção

Um jovem descrente, desejando testar o conhecimento de um sábio, ergueu o punho fechado na frente do homem venerado.

"O que tenho em minha mão?" perguntou o jovem.

"Uma borboleta", foi a resposta.

"Está viva ou morta?" inquiriu o rapaz.

O ancião sabia que o jovem estava brincando com ele. Se respondesse morta, o jovem abriria a mão e deixaria a borboleta voar. Se respondesse viva, o rapaz fecharia a mão e esmagaria a criatura. Então respondeu:

"Está em suas mãos – fazer aquilo que deseja com ela."

"Se você pensar que pode, ou que não pode – estará certo."

"Quando todos os elementos estão fora do seu controle, lembre-se de que ainda pode controlar a sua reação.""O dinheiro é fogo. Pode destruir e aniquilar, ou iluminar e aquecer, dependendo da maneira pela qual é usado.”
Rabi Elimelech de Lizensk

sábado, 21 de novembro de 2009

Crença

Um educador secular na Rússia Comunista estava dando uma aula sobre Ciências e Ética aos seus jovens alunos. O tema em discussão era a idéia de "crença versus realidade". Ele começou sua palestra com a alegação que tudo aquilo que não pode ser visto não existe.

"Vocês sabem por que não podem ver um disco voador no céu?" perguntou o professor à audiência. "Porque não existe! E pelo mesmo motivo, todos acreditamos que não há nenhum D'us neste mundo. Não podemos vê-Lo, portanto Ele não existe."

Um estudante esperto, sentado ao fundo da sala, levantou a mão e saiu-se com essa: "Isso significa que o professor não tem cérebro? Quero dizer, nenhum de nós pode vê-lo?!"
"Para quem acredita não há perguntas: para o céptico não há respostas."

"Quanto menos se sabe, mais fácil é se convencer que se sabe tudo."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ajuda

Um menino pequeno estava se esforçando para mover um pesado armário, mas o móvel não cedia. Ele empurrava e puxava com toda sua força, mas não conseguia movê-lo nenhum centímetro. O pai, que ali chegava, parou para observar os esforços vãos do filho. Finalmente perguntou:
"Filho, está usando toda a sua força?"

"Sim, estou!" gritou o garoto, exasperado.

"Não", disse calmamente o pai, "você não está. Não me pediu para ajudá-lo.

"Quase tão bom quanto saber algo é saber onde encontrá-lo."

"Para fazer uma torta de maçã do nada, primeiro você deve criar o universo."

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Gratidão

Um casal israelense elogiou emotivamente seu único filho. A audiência na sinagoga ouviu com simpatia enquanto o casal falava sobre o caráter do jovem, sua apreciação pela vida, e profunda devoção à Terra Santa. Pouco depois de seu 19º aniversário, ele foi brutalmente assassinado enquanto defendia seu amado país. Em memória ao filho, os pais fizeram uma generosa doação à sinagoga que freqüentavam.

Após a apresentação, uma mulher na audiência voltou-se ao marido e sussurrou: "Vamos doar a mesma quantia pelo nosso filho."

"O que está dizendo?" perguntou o marido. "Nosso filho não perdeu a vida!"

"Por isto mesmo!", respondeu a mãe. "Vamos fazer caridade porque ele foi poupado."

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Auto-Refinamento

"Um judeu é como uma vela," explicou certa vez o Rebe a um chassid, "e sua tarefa é acender outros judeus."

O chassid perguntou: "Rebe, o senhor já acendeu minha vela?"

O Rebe respondeu: "Não, mas eu dei o fósforo a você. Agora deve riscá-lo e acender a si mesmo."

"Se você deseja consertar o mundo, comece consigo mesmo."

"Fique tão ocupado melhorando a si mesmo que não sobre tempo para criticar os outros."

"Aquele que rema o barco não tem tempo para balançá-lo."

"Antes de acordarmos, a neshamá do dia clama e implora: 'Por favor, faça o melhor para mim!
"Quando chegar o dia em que deverei prestar contas pela minha vida, não serei indagado: 'Por que você não foi Moshê?' Eu não estava equipado para ser Moshê. Mas temo a pergunta 'Por que você não foi Zusia?'
Reb Zusia de Anipoli

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Reflexão

Uma mãe levou o filho pequeno ao fundo de um vale, e disse: "Grite as palavras: 'Eu te odeio'!" De repente, ele ouviu o som assustador de "EU TE ODEIO, Eu Te Odeio, Eu Te Odeio!" ecoando pelo vale.

Ela voltou-se para o filho e pediu: "Agora grite as palavras 'Eu Te Amo' o mais alto que puder."
Ele gritou com todas as forças: "EU TE AMO!" De repente, ouviu: "Eu TE AMO, Eu Te Amo, Eu Te Amo!" ecoando ao seu redor.

"Olhe dentro de um lago e veja um espelho de água refletindo sua imagem. Ame outra alma e seu amor se refletirá de volta para você."

Adaptado do Tanya, cap. 46

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Amor

Um pescador certa vez pescou um salmão. Quando viu seu extraordinário tamanho, exclamou: "Que peixe maravilhoso! Vou levá-lo ao Barão! Ele adora salmão fresco."

O pobre peixe consolou-se, pensando: "Ainda posso ter alguma esperança."

O pescador levou o peixe à propriedade do nobre, e o guarda na entrada perguntou: "O que tem aí?"

"Um salmão", respondeu o pescador, orgulhoso.

"Ótimo", disse o guarda. "O Barão adora salmão fresco."

O peixe deduziu que havia motivos para ter esperança. O pescador entrou no palácio, e embora o peixe mal pudesse respirar, ainda estava otimista. Afinal, o Barão adora salmão, pensou ele.

O peixe foi levado à cozinha, e todos os cozinheiros comentaram o quanto o Barão gostava de salmão. O peixe foi colocado sobre a mesa e quando o Barão entrou, ordenou: "Cortem fora a cauda, a cabeça, e abram o salmão."

Com seu último sopro de vida, o peixe gritou em desespero: "Por que você mente? Se realmente me ama, cuide de mim, deixe-me viver. Você não gosta de salmão, gosta de si mesmo!"

domingo, 15 de novembro de 2009

O sábio e o canoeiro

Conta-se que um filósofo, ao atravessar largo rio numa canoa, perguntou ao canoeiro se ele entendia de astronomia.
- Não senhor- respondeu o trabalhador- em toda minha vida nunca ouvi falar esse nome.
O sábio replicou:
- Sinto muito que você tenha desperdiçado a quarta parte de sua vida.- Você sabe alguma coisa de matemática?
O pobre homem sorriu, meneou a cabeça e respondeu-lhe:
- Não!
Então o sábio tornou a dizer:
- Lamentavelmente você perdeu outra quarta parte de sua vida, meu amigo.
Logo em seguida, perguntou pela terceira vez:
- Sabe algo sobre geologia?
- Não, nunca fui à escola- replicou o canoeiro.
- Bem, amigo, quase toda sua vida foi mal empregada.

No momento em que conversavam a canoa bateu numa pedra , e o canoeiro, enquanto tirava a jaqueta para nadar até a margem do rio, perguntou ao filósofo:
- O senhor sabe nadar?
- Não- respondeu o sábio.
- Sinto muito, o senhor desperdiçou toda a sua vida com as ciências e agora, em poucos minutos a canoa se afundará.

sábado, 14 de novembro de 2009

Tess...

Tess era uma garotinha precoce de 8 anos, quando ouviu seu Papai e sua Mamãe conversando sobre seu irmãozinho, Andrew.
Tudo que ela sabia era que ele estava doente e que eles estavam completamente sem dinheiro. Eles se mudariam para um apartamento num subúrbio no próximo mês, porque o Papai não tinha recursos para pagar as contas do médico e o aluguel do apartamento.
Somente uma intervenção cirúrgica muito cara poderia salvá-lo agora, e parecia que não havia ninguém que pudesse emprestar-lhes o dinheiro. Ela ouviu seu pai dizer à sua mãe chorosa, com um sussurro desesperado,"Somente um milagre poderá salvá-lo agora."
Tess foi ao seu quarto e puxou o vidro de gelatina de seu esconderijo no armário. Despejou todo o dinheiro que tinha no chão e contou-o cuidadosamente. Três vezes. O total tinha que estar exato. Não havia margem de erro. Colocando as moedas de volta no vidro com cuidado e fechando a tampa, ela saiu devagarinho pela porta do fundo e andou 5 quarteirões até a Farmácia esperou pacientemente que o farmacêutico a visse e desse atenção, mas ele estava muito ocupado no momento. Tess esfregou os pés no chão para fazer barulho. Nada! Ela limpou a garganta com o som mais terrível que ela pôde fazer. Nem assim! Finalmente ela pegou um níquel do vidro e bateu no vidro da porta. Finalmente!
E o que você quer?" perguntou o farmacêutico com voz aborrecida.. "Estou conversando com meu irmão que chegou de Chicago e que não vejo há séculos", disse ele sem esperar resposta pela sua pergunta. "Bem, eu quero lhe falar sobre meu irmão", Tess respondeu no mesmo tom aborrecido. "Ele está realmente doente... e eu quero comprar um milagre."
"Como?", balbuciou o farmacêutico atônito. "Ele chama Andrew e está com alguma coisa muito ruim crescendo dentro de sua cabeça e Papai diz que só um milagre poderá salvá-lo. "Então, quanto custa um milagre?"
"Não vendemos milagres aqui, garotinha. Desculpe, mas não posso ajudá-la", respondeu o farmacêutico, com um tom mais suave. "Escute, eu tenho o dinheiro para pagar. Se não for suficiente, conseguirei o resto. Por favor, diga-me quanto custa."
O irmão do farmacêutico era um homem bem vestido. Ele deu um passo à frente e perguntou à garota. "Que tipo de milagre seu irmão precisa?" "Não sei", respondeu Tess, levantando os olhos para ele. "Só sei que ele está muito mal e Mamãe diz que ele precisa ser operado. Mas Papai não pode pagar, então quero usar meu dinheiro."
"Quanto você tem", perguntou o homem de Chicago.
"Um dólar e 11 centavos", Tess respondeu quase num sussuro. "E é tudo que tenho, mas posso conseguir mais se for preciso."
"Puxa, que coincidência", sorriu o homem. "Um dólar e 11 centavos - exatamente o preço de um milagre para irmãozinhos." Ele pegou o dinheiro com uma mão e dando a outra mão à menina, disse " Leve-me até aonde você mora. Quero ver seu irmão e conhecer seus pais. Quero ver se tenho o tipo de milagre que você precisa."
Esse senhor bem vestido era o Dr. Carlton Armstrong, um cirurgião, especializado em neuro-cirurgia. A operação foi feita com sucesso e sem custo algum, e meses depois Andrew estava em casa novamente, recuperado.
Mamãe e Papai comentavam alegremente sobre a sequência de acontecimentos ocorridos. "A cirurgia", murmurou Mamãe, "foi um milagre real. Gostaria de saber quanto deve ter custado?" Tess sorriu. Ela sabia exatamente quanto custa um milagre... um dólar e onze centavos... mais a fé de uma garotinha. Um milagre não é a suspensão de uma lei natural, mas o resultado de uma lei maior ..

Fonte desconhecida

Tess...

Tess era uma garotinha precoce de 8 anos, quando ouviu seu Papai e sua Mamãe conversando sobre seu irmãozinho, Andrew.
Tudo que ela sabia era que ele estava doente e que eles estavam completamente sem dinheiro. Eles se mudariam para um apartamento num subúrbio no próximo mês, porque o Papai não tinha recursos para pagar as contas do médico e o aluguel do apartamento.
Somente uma intervenção cirúrgica muito cara poderia salvá-lo agora, e parecia que não havia ninguém que pudesse emprestar-lhes o dinheiro. Ela ouviu seu pai dizer à sua mãe chorosa, com um sussurro desesperado,"Somente um milagre poderá salvá-lo agora."
Tess foi ao seu quarto e puxou o vidro de gelatina de seu esconderijo no armário. Despejou todo o dinheiro que tinha no chão e contou-o cuidadosamente. Três vezes. O total tinha que estar exato. Não havia margem de erro. Colocando as moedas de volta no vidro com cuidado e fechando a tampa, ela saiu devagarinho pela porta do fundo e andou 5 quarteirões até a Farmácia esperou pacientemente que o farmacêutico a visse e desse atenção, mas ele estava muito ocupado no momento. Tess esfregou os pés no chão para fazer barulho. Nada! Ela limpou a garganta com o som mais terrível que ela pôde fazer. Nem assim! Finalmente ela pegou um níquel do vidro e bateu no vidro da porta. Finalmente!
E o que você quer?" perguntou o farmacêutico com voz aborrecida.. "Estou conversando com meu irmão que chegou de Chicago e que não vejo há séculos", disse ele sem esperar resposta pela sua pergunta. "Bem, eu quero lhe falar sobre meu irmão", Tess respondeu no mesmo tom aborrecido. "Ele está realmente doente... e eu quero comprar um milagre."
"Como?", balbuciou o farmacêutico atônito. "Ele chama Andrew e está com alguma coisa muito ruim crescendo dentro de sua cabeça e Papai diz que só um milagre poderá salvá-lo. "Então, quanto custa um milagre?"
"Não vendemos milagres aqui, garotinha. Desculpe, mas não posso ajudá-la", respondeu o farmacêutico, com um tom mais suave. "Escute, eu tenho o dinheiro para pagar. Se não for suficiente, conseguirei o resto. Por favor, diga-me quanto custa."
O irmão do farmacêutico era um homem bem vestido. Ele deu um passo à frente e perguntou à garota. "Que tipo de milagre seu irmão precisa?" "Não sei", respondeu Tess, levantando os olhos para ele. "Só sei que ele está muito mal e Mamãe diz que ele precisa ser operado. Mas Papai não pode pagar, então quero usar meu dinheiro."
"Quanto você tem", perguntou o homem de Chicago.
"Um dólar e 11 centavos", Tess respondeu quase num sussuro. "E é tudo que tenho, mas posso conseguir mais se for preciso."
"Puxa, que coincidência", sorriu o homem. "Um dólar e 11 centavos - exatamente o preço de um milagre para irmãozinhos." Ele pegou o dinheiro com uma mão e dando a outra mão à menina, disse " Leve-me até aonde você mora. Quero ver seu irmão e conhecer seus pais. Quero ver se tenho o tipo de milagre que você precisa."
Esse senhor bem vestido era o Dr. Carlton Armstrong, um cirurgião, especializado em neuro-cirurgia. A operação foi feita com sucesso e sem custo algum, e meses depois Andrew estava em casa novamente, recuperado.
Mamãe e Papai comentavam alegremente sobre a sequência de acontecimentos ocorridos. "A cirurgia", murmurou Mamãe, "foi um milagre real. Gostaria de saber quanto deve ter custado?" Tess sorriu. Ela sabia exatamente quanto custa um milagre... um dólar e onze centavos... mais a fé de uma garotinha. Um milagre não é a suspensão de uma lei natural, mas o resultado de uma lei maior ..

Fonte desconhecida

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A perereca

Havia uma perereca se preparando para comer uma mosca que voava por perto, quando uma perereca macho, que observava a cena, disse:-



* Perereca, não coma já a mosca! Espera que a abelha a coma, depois você come a abelha e ficará muito mais bem alimentada.



A perereca assim fez e, efetivamente, passados alguns segundos, veio uma abelha e comeu a mosca. A perereca preparou-se, então, para comer a abelha, mas o macho a interrompeu novamente:-



* Perereca, não coma a abelha, ela vai ficar presa na teia da aranha e a aranha vai comê-la, então você come a aranha e ficará mais bem alimentada.



A perereca de novo esperou. A abelha levantou vôo, caiu na teia da aranha, veio a aranha e a comeu. A perereca preparou-se para saltar sobre a aranha, mas de novo, o macho falou:-



* Perereca, não sejas precipitada! Há de vir o pássaro que comerá a aranha, que comeu a abelha, que comeu a mosca. Então você poderá comer o pássaro e ficará, sem dúvida, mais bem alimentada.



A perereca, reconhecendo os bons conselhos do macho, aguardou. Logo após, chegou o pássaro que comeu a aranha.



Entretanto, começou a chover, e a perereca, ao atirar-se sobre o pássaro, para comer, escorregou e caiu numa poça d'água.



Esta é a história da "perereca" que por muitos foi deturpada e levada por outros pontos de vista, que certamente não são nem estão próximos do que Deus quer de nós, mas... estou dando significados mais propícios a ela. Servirá a muitos como uma verdadeira lição de vida...



É possível desta pequena estória quatro significados, quatro morais:



primeira: Contente-se com o que tens dando sempre graças a Deus, pois, se jamais olhou para os lados, faça isto e veja que muitos não têm nem mesmo o que você possui

segunda: Nunca deixe para amanhã o que se pode fazer hoje. Não deixe que a preguiça, ou maus conselhos te faça cair neste laço maligno que é a preguiça. "Por muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos a casa goteja". (Eclesiastes 10:18).

terceira: Quem muito quer nada tem. Na maioria das vezes nos arrependemos por não aceitar o que Deus nos dá, então, ficamos na esperança de algo que não é da Sua vontade. Deus somente dá aos “seus filhos” o que Ele achar conveniente, o que Ele certamente sabe que não nos prejudicará. "Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco". (I Tessalonicenses 5:18).

quarta: Jamais dê ouvido a conselhos dos outros se não te parecer bom, peça auxílio a Deus e siga os passos de Jesus. A única maneira de ouvir um conselho, é saber se está de acordo com a Bíblia. "Examinai tudo. Retende o bem". (I Tessalonicenses 5:21).

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Mary

O filho de Mary veio passar em casa a semana de férias da universidade. Sentia-se cansado e estava pálido, perdera a vitalidade. Preocupada, ela o levou ao médico, que diagnosticou uma forma rara de câncer. Era incurável.
Quando Mary ouviu o diagnóstico, o filho já voltara para a faculdade. Ela subiu os degraus da entrada, abriu a porta com força e uivou com todas as suas forças. Gritando de revolta, correu de quarto em quarto abrindo as janelas com ímpeto e dando socos no ar. O marido tentou acalmá-la sem resultado. Assustado, ele telefonou para um terapeuta que vinham consultando juntos e correu com o telefone até o quarto onde Mary gritava diante da janela aberta.
— Mary, Mary — disse ele —, o terapeuta está ao telefone.
Ao ouvir isso, ela avançou sobre o marido, gritando:
— O terapeuta? O terapeuta? Fale você com o terapeuta, Harry. Eu vou falar com Deus.
Mary precisou de toda a sua raiva, força de vontade e vitalidade para atravessar os quatorze meses que se seguiram. Com a ajuda das quatro filhas, ela levou o rapaz a quem quer que pudesse ajudar. Tentaram de tudo, mas o câncer avançou com fúria, transformando-o numa sombra de si mesmo, até que, finalmente, ele morreu nos braços da mãe. Tinha apenas vinte anos. Todo aquele amor materno não fora capaz de salvá-lo. Mary sentiu que sua vida se fora com o filho. Passou vários meses entorpecida. Inconsolável.
Cerca de dois anos mais tarde, Mary foi com seu irmão a uma igreja católica que nunca visitara. Sem conseguir rezar, ela caminhou sem destino pela nave até parar em frente a uma imagem da Virgem Maria. De repente, a dor que estava congelada em seu coração encontrou palavras e ela perguntou em voz alta:
— Como a Senhora conseguiu, Maria? Como conseguiu renunciar a seu filho? Como conseguiu encontrar uma maneira de continuar vivendo depois que ele morreu? Onde descobriu alguma esperança de conforto?
Com lágrimas descendo pelo rosto, ela disse à Virgem que sempre fora uma boa pessoa, uma boa mãe.
— Por quê? — inquiriu. — Por quê?
Que razão poderia haver para uma pessoa tão cheia de vida, tão nova, tão brilhante, sofrer e morrer? Mary sabia, sem sombra de dúvida, que jamais superaria aquela perda. Ainda chorando, ela contou à Virgem como seu filho era jovem, como ele se esquecia de comer, como não sabia lavar as próprias roupas direito.
— Ele precisava de uma mãe — disse, em lágrimas. — Ele ainda precisa de uma mãe. Não posso compreender, mas entrego-o aos seus cuidados.
Virou-se de costas e saiu da igreja.
Um ou dois dias depois, enquanto dirigia para o trabalho, Mary surpreendeu-se ao perceber que estava cantarolando um antigo hino de louvor sobre o consolo. Com o passar do tempo, devagarinho, ela foi conseguindo aliviar seu coração.
Fiquei perplexa com a força dessa história, impressionada com a intensidade do amor de Mary pelo filho e da dor pela sua perda. Não consegui dizer nada. Mary olhou para mim e sorriu:
— E o Mistério, Rachel? O Mistério é que é possível ser reconfortada.
Recentemente, Mary escreveu-me uma carta para contar que duas de suas filhas estão grávidas. Na próxima primavera, uma delas trará ao mundo um menino, seu primeiro neto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um filho perfeito

Aos vinte e seis anos, tive um lindo bebê. Seu cabelo era escuro, seus olhos, verdes, e tinha os cílios mais longos que eu jamais vira. Falou aos nove meses, andou aos dez e, aos dois anos, já esquiava. Era minha alegria e eu sentia por ele um amor intenso, que nem imaginava ser possível existir.
Como todas as mães, eu sonhava com o futuro de George. Quem sabe seria um engenheiro? Um esquiador, com certeza. Era tão inteligente que freqüentava uma escola especial. Uma vez, eu contava uma dessas “histórias de mãe” para uma amiga e ela perguntou: “Que bom que George é perfeito. Você o amaria tanto se ele não fosse?” Pensei sobre a pergunta, mas a esqueci até o ano seguinte.
Um dia, aos oito anos, George se levantou com o pé apontando para cima, só conseguindo andar se apoiando no calcanhar. Percorremos consultórios médicos enquanto o problema atingia uma perna, depois a outra. Ouvimos alguns diagnósticos até chegar ao de distonia generalizada, um problema neurológico. Ele perderia a capacidade de andar e talvez o controle da maioria dos músculos, num doloroso processo.
Eu sentia muito ódio: de Deus, que fizera aquela maldade comigo e com meu filho, de mim, que de alguma forma causara nele um problema genético, e de George, por sua deformação.
Eu me envergonhava de andar com ele na rua. As pessoas o viam e rapidamente me fitavam com pena. Às vezes, eu não suportava olhá-lo, de tão torto e feio. Gritava para que ele andasse reto, porque não agüentava ver como ele se tornara deformado. George sorria, dizendo: “Estou tentando, mamãe.”
Eu não o achava mais bonito. Só conseguia ver suas pernas tortas, seus braços, costas e dedos tortos. Não queria mais amá-lo, porque tinha medo de perdê-lo. Não podia mais sonhar com o que ele seria no futuro, pois nem sabia se ele teria um futuro. Pensava sempre que não poderia dançar com ele no seu casamento.
Um dia, fiquei de coração tão partido ao vê-lo tentar colocar seus pés tortos no seu amado skate, que tratei de guardá-lo no armário, dizendo que era para ele “usar depois”.
Toda vez que lia para George na hora de dormir, ele me perguntava a mesma coisa: “Se rezarmos muito, você acha que vou estar andando quando acordar?”
“Não, mas acho que devemos rezar de qualquer jeito.”
“Sabe, mamãe, os outros meninos me chamam de aleijado, não querem mais brincar comigo. Não tenho mais amigos. Odeio eles. Me odeio.”
Tentamos todos os remédios, dietas e médicos possíveis. Procurei o centro de pesquisas sobre a doença e fundei a Associação Inglesa dos Portadores de Distonia. Dirigi minha vida para procurar a cura para esse mal, querendo que meu filho voltasse a ser normal.
Aos poucos, a relação com George foi me ensinando a perdoar, mas eu ainda me sentia paralisada pelo medo. Foi quando uma amiga me levou a um grupo de meditação, onde aprendi a praticar diariamente. Fui adquirindo uma paz interior que não conhecera antes, mesmo quando meu filho era perfeito. Descobri que o problema que vivíamos era uma chance de crescimento para nós, tão dolorosa quanto preciosa. Agora, o amor parecia maior do que qualquer sensação que eu pudesse compreender. Vi que George era meu professor e que a lição era o amor.
Sei que George sempre será um pouco diferente das outras crianças — mas é meu filho querido. Parei de ter vergonha quando seu corpo não estava reto. Aceitei que ele crescesse com perspectivas diferentes das outras pessoas. Mas ele se desenvolveu com mais paciência, mais ambição e mais coragem do que qualquer pessoa que eu já conhecera.
Aos dezoito anos, George conseguiu esticar uma das pernas. Jogou fora uma muleta. No mês seguinte, jogou a outra. Seu andar era capenga, mas andava sozinho. Veio visitar-me logo depois disso e, quando abri a porta de casa, vi na minha frente um rapaz alto e bonito.
“Oi, mamãe”, ele sorriu. “Quer ir dançar?”
Numa recente reunião de minhas colegas de escola, todas comentavam os sucessos dos filhos.
“Meu filho é músico.”
“Minha filha é médica.”
Quando chegou minha vez, falei com extremo orgulho: “Meu filho anda. E ele é perfeito.”

SHARON DREW MORGAN

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Óculos escuros

Temos uma foto dele em algum lugar. É a foto de um garotinho de cinco anos com o coração partido, atirado num banco da Disney, tentando conter as lágrimas, os lábios tão tensos que quase dá para vê-los tremer, as orelhas de Mickey tortas.
Mas é possível que não tenhamos essa foto a não ser em nossa lembrança. Ainda assim, é a mesma imagem compartilhada por mim e por meu marido: um dia de sol, uma luz branca cintilando nas janelas da Main Street e refletindo dezenas de carruagens com rodas de cromo. Luz e calor bruxuleavam por todos os lados e nossos dois filhos clamavam por óculos escuros:
— Por favor, mamãe? Pai, por favor, por favor!
Entramos rapidamente numa loja e Rob escolheu óculos de Pato Donald, um troço de plástico azul e branco que escorregava do nariz, deixando-o mais parecido com o Tio Patinhas do que com o Pato Donald. Mas não lhe dissemos isso. Ele amava aqueles óculos. Lauren, já intensamente preocupada em andar na moda apesar dos três anos, escolheu óculos cor-de-rosa da Minnie porque vestia rosa naquele dia.
Saíram da escuridão da loja para a claridade do dia com os óculos no rosto, subiram a Main Street, atravessaram o castelo e entraram na Terra da Fantasia. Quando andaram no brinquedo do Peter Pan, tiraram os óculos e os seguraram, fazendo o mesmo no Piratas do Caribe.
De alguma forma, depois disso, talvez justamente quando saíram desse brinquedo específico, ou quem sabe quando parou para amarrar os tênis ou para ajeitar as orelhas do Mickey, ou quando paramos para almoçar, os óculos de Pato Donald desapareceram. E Robbie, que tinha cinco anos e amava aqueles óculos, chorou.
“Se você os amava tanto, deveria ter tido mais cuidado com eles”, foi o que lhe dissemos. Ou alguma coisa do gênero. Imagino eu. Mas éramos jovens e pouco versados na arte de criar filhos e, afinal, não era para a gente lhe ensinar a cuidar de suas coisas? Não era nosso dever nos certificarmos de que ele compreendia que dinheiro não cresce em árvores?
Quanto custaram os óculos? Um dólar? Dois dólares? Que mal haveria em secarmos as suas lágrimas e dizermos: “Venha, vamos comprar outros. Sei que você não queria perdê-los.” Será que ele teria se transformado numa pessoa do mal por causa disso? Teríamos nós o corrompido de alguma forma imprevisível?
Lauren disse:
— Você pode ficar com os meus, Robbie. — Mas ele não queria os óculos dela. Eram cor-de-rosa. Eram óculos de menina. Os dele eram azuis, eram óculos de menino. E haviam sumido. Ele os adorava e agora estava arrasado.
Se eu pudesse fazer tudo outra vez, teria voltado a Main Street, comprado outro par de óculos de Pato Donald novinhos em folha e fingido que os encontrara no chão. Eu teria berrado: “Ei, olhe só o que achei!” E ele teria se levantado na mesma hora, corrido — rindo —, atirado os braços em torno de mim e colocado os óculos no rosto. E é assim que nos lembraríamos daquele dia.
Vivendo e aprendendo.
Há alguns meses, estávamos em Orlando, não exatamente na cena do crime, mas bastante perto. Nosso filho, há muito adulto, estava lá a trabalho e pegamos um avião para encontrá-lo. Em meio àquela agitação de carros alugados, restaurantes e deslocamentos para cá e para lá, adivinhe só? Ele perdeu os óculos escuros!
Não ralhamos com ele, nem ao menos nos passou pela cabeça dizer: se você gostava tanto deles, deveria ter sido mais cuidadoso. Todo mundo perde coisas o tempo todo. Em vez disso, fizemos o que a maioria dos adultos faz por outros adultos: tentamos ajudá-lo a descobrir onde os teria deixado e — imagine só — acabou por encontrá-los numa sala de reunião na qual estivera no dia anterior.
Tinha um sorriso estampado no rosto ao voltar para o carro. Passos lépidos, olhos ocultos pelos óculos escuros, ele em nada lembrava aquele menino de cinco anos.
Exceto para mim.
Foi o meu primeiro filho e o primeiro sempre paga o preço mais alto por você ser nova naquilo, por seguir tudo à risca e não querer errar sendo boazinha demais. Mas aí acaba errando do mesmo jeito porque, na verdade: você lá sabe o que está fazendo?
Sei que, como pais, temos obrigação de ensinar aos nossos filhos. Mas também sei que nem tudo precisa ser uma lição. Às vezes, óculos escuros são só isso: óculos escuros perdidos e nada mais.

BEVERLY BECKHAM

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Uma criança sem mãe

A morte de minha mãe foi rápida e brutal — teve um vírus no estômago na sexta-feira à noite e estava morta na segunda-feira de manhã. Não houve tempo de me despedir. Não estava preparada para perdê-la. Mas como explicar a morte para uma criança de dois anos? Perguntei a meu pai como eu reagira.
“Você era muito pequena, foi fácil distraí-la.” Sua resposta apressada me fez entender que, na época, ele não conversara comigo sobre o assunto e mesmo agora só fala de mamãe se o pressiono.
Quase todas os personagens da minha infância eram como eu — sem mãe: Cinderela, Dumbo, Bambi e Branca de Neve. Os autores usam a técnica de criar personagens sem mães para dar-lhes um status de heroínas e fazê-las despertar mais carinho. E eu, criança, gostava das heroínas — não porque as visse como abandonadas e vulneráveis, mas porque tínhamos alguma coisa em comum.
Imagino que vocês esperam que eu fale da tristeza que senti por ser órfã de mãe, ou das habilidades que tive de desenvolver para compensar a perda. Mas a verdade é que não posso dizer que senti falta de mãe, pois houve várias mulheres que, cada uma a seu modo, desempenharam função de mãe para mim. Fui cercada de tias, irmãs, avó afetuosíssimas que capricharam nas minhas refeições, trançaram meu cabelo, me contaram histórias na hora de dormir e ouviram minhas histórias com interesse. Fui levada e buscada na escola com cuidado, prepararam-me para viver com naturalidade a primeira menstruação, deram-me o primeiro sutiã. Meu pai foi uma presença protetora e não me lembro de jamais ter sido carente de amor ou sentir falta de abraços quando era pequena.
Na época da escola, intuí que o fato de não ter mãe me tornava especial, mais importante de alguma forma. Usei isso com as freiras para que me dessem um tratamento diferente. Usei também com meu pai, reclamando dele quando se atrasava para me apanhar: “Se mamãe estivesse viva, aposto que ela chegaria na hora.” Na fase de competição entre adolescentes, quando minhas amigas se queixavam de suas mães, eu dizia: “Vocês, pelo menos, têm mãe.”
Foi só quando tive meu filho que comecei a sentir falta de minha mãe. Não porque ela poderia me ajudar a cuidar dele, mas porque, com Jacob, veio o entendimento do que uma mãe dá a seu filho, do que uma mãe é. Senti por meu filho um amor absoluto que eu não imaginava que um ser humano pudesse ter pelo outro. Percebi o que eu perdera e do que eu sentira falta, mas que nunca me ocorrera.
Fiquei especialmente atenta quando ele fez dois anos e cinco dias, exatamente a idade que eu tinha quando minha mãe morreu. Procurava entender como sua morte me afetara. Tentava imaginar como seria uma criança que mal começou a andar e tem o centro de sua vida roubado. Mas não conseguia me lembrar da experiência.
Eu não podia voltar àquela época. Em vez disso, fixei-me na minha relação com Jacob — de mãe para filho e não de filho para mãe.
Colocava seus dedinhos roliços na palma da minha mão e imaginava que minha mãe também segurara meus dedos assim. Brincava com ele de “aperto de mão secreto” — três apertos de mão enquanto eu murmurava “amo você”. Quem fazia assim comigo era minha avó materna. Talvez ela também tenha brincado dessa forma com minha mãe. Quando consolava Jacob em sua tristeza ou fazia cosquinhas na sua barriga para que ele risse, achava que certamente mamãe fizera o mesmo comigo.
Pela primeira vez eu pensava em minha mãe como uma mulher que amara sua filha e se alegrara com ela com a mesma paixão que eu sentia por Jacob. Então chorei muitas vezes, de forma profunda, como uma purificação.
Chorei pela mulher que foi tirada de sua filha. Chorei por aquela menininha que eu queria abraçar e a quem eu queria dizer o quanto lamentava a perda que ela sofrerá. Dizer que eu a protegeria e a ajudaria a se sentir segura. Queria que ela soubesse que fora muito e profundamente amada por sua mãe. Fazer isso me deu liberdade de experimentar todas as sensações que eu passara a vida negando.
Agora, quando leio para Jacob dormir e vejo filmes com ele, ainda tenho empatia por personagens solitários: o ET, separado da nave-mãe, o bebê dinossauro que perdeu a mãe tão cedo, a Pequena Sereia, que só tinha o pai, e a Bela, que enfrentou a Fera sem ter a mãe para lhe dar conselhos. E agora, apesar de ser imensamente grata por todas as figuras femininas que desempenharam para mim função materna, também entendo como corta o coração a idéia de uma criança sem mãe. O que a vida não me ensinou, eu aprendi com meu filho.

JANE KIRBY

domingo, 8 de novembro de 2009

É o coração que lembra

“Jamais houve uma criança tão encantadora,
mas sua mãe ficava satisfeita quando o fazia dormir.”

RALPH WALDO EMERSON



“A mãe de quem você se lembra, é a mãe que você será!”
Essas palavras inundaram a minha mente na manhã em que fui mãe pela primeira vez. Ao colocarem Kaley em meus braços, aquela trouxinha quentinha e agitada de olhos arregalados, jurei para mim mesma que seria a melhor das mães, o tipo de mãe da qual eu me lembrava: amorosa, paciente, eternamente calma e plácida. Minha vida inteira havia pulsado com amor e, enquanto acariciava a minúscula cabeça de meu bebê e o sentia virar o rosto para afocinhar o meu dedo, jurei para ela:
— Você só conhecerá o amor, pequenininha. Eu me lembrei da citação outra vez duas semanas mais tarde, às três da manhã, enquanto andava em círculos com minha recém-nascida aos berros, cheia de cólicas. Naquele momento, entretanto, aquelas palavras não me serviam de consolo. Afinal de contas, que bebê ia querer se lembrar de mim como eu estava então — privada de uma boa noite de sono, ansiosa e com a paciência mais gasta do que uma lâmina de sabão.
E apesar da promessa que havia feito, eu certamente não estava sentindo amor algum. Na verdade, não estava sentindo grande coisa. Estava entorpecida, fraca de tanta fadiga, tentando fazer tudo sozinha embora meu marido e minha mãe estivessem dormindo próximos dali, ao final do corredor. Tentava fazer Kaley se calar e a segurava mais perto de mim, mas ela apenas esperneava, sacudia o corpo todo e gritava ainda mais alto. E subitamente não pude conter as lágrimas. Fui afundando o corpo até o chão da sala escura, coloquei-a sobre o colo e solucei com o rosto enterrado nas mãos.
Não sei quanto tempo fiquei assim, mas, muito embora parecessem horas, não podem ter sido mais do que alguns minutos. Através de uma névoa de lágrimas, vi uma luz acender no corredor, desenhando a silhueta de minha mãe enquanto vestia o robe. Logo senti a sua mão em meu ombro.
— Dê-me o bebê — disse.
Não discuti. Derrotada, me limitei a lhe passar aquela trouxinha barulhenta e me arrastei até o sofá, onde deitei com o corpo encolhido numa bolinha bem apertada.
Minha mãe murmurou ao pé do ouvido de Kaley e, com imensa facilidade — fruto de décadas de prática —, passou-a para o ombro. E, por fim, o pranto se transformou em fungadas, as fungadas em soluços e, dali a meia hora, eu só ouvia ronquinhos abafados de bebê.
Senti alívio, mas não senti paz. Que espécie de mãe era eu que não conseguia acalmar a própria filha? Que espécie de mãe era eu que nem ao menos quis tentar? Observei mamãe sentar-se na cadeira de balanço, olhei-a dar início ao ritmo que, eu sei, havia embalado o meu sono em incontáveis noites. Tudo o que consegui sentir foi uma desesperada e exausta sensação de fracasso.
— Sou uma mãe terrível — murmurei.
— Não, não é.
— Você não compreende. — Novas lágrimas começaram a brotar no canto de meus olhos. — Neste exato instante, eu nem ao menos gosto dela. Meu próprio bebê.
Minha mãe riu baixinho.
— Bem, ela não está muito gostável hoje, está? Mas você ficou com ela o tempo todo. Quicou com ela no colo, a embalou, caminhou com ela. E, quando nada disso funcionou, você apenas a segurou nos braços e a manteve próxima.
Eu me sentei e abracei os joelhos.
— Mas a única coisa que consigo sentir é frustração, raiva e impaciência. Que tipo de mãe é essa?
Minha mãe não respondeu imediatamente. Apenas olhou para o bebê, adormecido em seus braços. Mas ficou com um ar pensativo e, quando falou, sua voz transmitia algo de longínquo e melancólico:
— Eu me lembro de todas elas — disse, suavemente. — Especialmente da última. Depois que você nasceu, eu costumava rezar, pedindo paciência. Eu chorava e implorava para que me dessem paciência. — Ela me olhou, um meio sorriso em seu rosto. — Acho que não fui ouvida, até hoje.
Eu não podia crer no que estava ouvindo.
— Mas mamãe, eis aí o que melhor me lembro a seu respeito. Não importava o que acontecesse, você nunca perdia a serenidade. De alguma maneira, você conseguia fazer tudo acontecer ao mesmo tempo.
E era verdade. Não importava quantos brownies precisassem ser assados de última hora, quantos pôsteres para o projeto de ciências precisassem ser coloridos — minha mãe sempre dava um jeito. Sempre calma. Sempre serena. Como enfermeira, seus horários eram irregulares, mas a cada peça de teatro, a cada recital do qual participei, mesmo que não conseguisse chegar a tempo para ver as cortinas se abrirem, eu sempre podia contar em ver um vulto conhecido, vestido de branco, entrar discretamente no auditório escuro.
Essa era a mãe da qual eu me lembrava, a mãe que fazia cada momento contar. A mãe que nunca se portou como eu acabava de me portar.
— Eu sempre pude contar com você — afirmei. — Sempre.
Mas, para minha imensa surpresa, ela revirou os olhos.
— Pode ser que você recorde os fatos assim, mas eu só lembro de me sentir sendo puxada em sete direções diferentes ao mesmo tempo. Você e seu irmão, seu pai, o pessoal do trabalho. Todos precisavam de mim, mas eu nunca tinha tempo o bastante para estar disponível para todo mundo.
— Mas você estava sempre disponível!
Ela balançou a cabeça.
— Não como eu gostaria de ter estado, com a freqüência ou pelo período que gostaria de ter estado. Então rezava e pedia paciência, para que eu pudesse aproveitar ao máximo o tempo que, de fato, tínhamos juntas. Mas você sabe o que dizem. Deus não nos dá paciência. Ele apenas nos envia momentos que nos façam treinar a paciência, e o faz repetidamente.
Ela olhou para Kaley.
— Momentos como este.
Olhei as duas e então, subitamente, compreendi: as lembranças não são guardadas em nossas mentes — perfeitamente aptas a registrar detalhes de forma incorreta — e sim em nossos corações. Minha mãe e eu não recordávamos a minha infância da mesma forma, mas compartilhávamos aquilo que de fato importava.
Ambas nos lembrávamos do amor.
Levantei do sofá e fui me sentar ao pé da cadeira de balanço. Ficamos assim por um bom tempo: minha mãe, minha filha e eu. E muito embora a choradeira tenha começado outra vez com o nascer do sol, naquele momento dourado e tranqüilo — eu sentada aos pés de minha mãe, com a mão nos cabelinhos sedosos de minha filha — murmurei um silencioso “muito obrigada”.
Se Kaley, de alguma maneira, se lembrar daquela noite, espero que recorde o amor instintivo que me fez permanecer ao seu lado apesar de tudo.

TINA WHITTLE

sábado, 7 de novembro de 2009

Saindo de casa

Sempre tive a sensação de que Deus nos empresta nossos filhos até
terem, aproximadamente, dezoito anos. Se você não tiver feito
pontos com eles até então, já é tarde demais.

BETTY FORD



— Eu não vou chorar — disse a Chuck, meu marido, ao deixarmos a sessão de orientação para pais, organizada diversos meses antes de nossa filha partir para a faculdade.
Talvez as outras mães chorassem ao deixarem os seus filhos no alojamento, mas eu não choraria. Olhei à minha volta, no auditório, para todas as outras mães e me perguntei quais delas seriam as choronas. Pensei assim: “Eu é que não vou me agarrar a uma caixa de lenços de papel quando chegar a hora de me despedir de Sarah. Sou mais forte do que isso. Para que me lamuriar e soluçar só porque a minha garotinha está crescendo?”
Passamos a tarde inteira ouvindo os pais dos veteranos falarem do quanto as nossas vidas mudariam quando nossos filhos partissem para a faculdade. Uma mãe mais experiente avisou que choraríamos até chegar em casa.
Cutuquei Chuck:
— Isto é ridículo — comentei. — Por que será que estão dando tanta trela para isso tudo? — Ser mãe era importante para mim, mas, pelo amor de Deus, não era a única coisa! Tenho emprego, tenho amigos, eu tenho uma vida!
Sarah e eu passamos o verão inteiro nos alfinetando. Eu detestava sua mania de dizer que não agüentava esperar até partir para a faculdade — como se sua vida em casa, conosco, fosse uma espécie de cativeiro. Ela odiava o fato de eu viver pedindo que limpasse o quarto e colocasse a louça suja dentro da pia; a maneira de eu resmungar quando precisava usar o telefone e ela estava ocupando a linha; a maneira de lhe perguntar por onde andara quando saía com os amigos. Afinal de contas, tinha dezoito anos. Não precisava ficar dando satisfações à mãe a cada cinco minutos.
Em agosto, encontrei minha amiga Pat na biblioteca. Pat recordou as semanas anteriores à partida da filha para a faculdade.
— Passamos o verão inteiro às turras — contou. — Acho que foi a nossa forma de nos acostumarmos a viver longe uma da outra. Quando a gente passa o tempo todo discutindo, com raiva, não se sente tão mal quando ela está partindo.
— Além disso — reagi, pensativa —, ela não se sente tão mal por estar partindo quando passa o tempo todo fula da vida com a mãe.
No dia da mudança, nós a ajudamos a desfazer as malas e a guardar seus pertences no quarto do alojamento. Cobri o colchão de Sarah com lençóis extralongos enquanto Chuck montava uma prateleira dentro de seu guarda-roupa. Depois do almoço, nos despedimos, nos abraçamos no meio-fio e, então, Chuck e eu partimos.
A mulher da orientação estava enganada, pensei. Isto não é tão ruim assim.
Dois dias depois, entrei em seu quarto. A porta estava aberta, a cama estava feita e toda a desordem da infância e da adolescência haviam sumido. E de repente eu me dei conta. Ela se fora.
Mais tarde, enquanto passava aspirador na sala, pensei ter ouvido alguém dizer: “Mãe.” Desliguei o aspirador para ouvir os passos atravessarem a porta, para responder ao chamado de uma criança. Foi então que compreendi que estava sozinha. Sarah havia partido e nada, nunca mais, seria igual.
Tive vontade de ouvir sua voz. Queria saber como ela estava. Queria que ela se sentasse na beiradinha de minha cama à noite, como fazia antigamente, para me contar sobre o seu dia, sobre as aulas, sobre os professores, sobre os amigos, sobre os garotos dos quais gostava, sobre os garotos que gostavam dela...
— Aconteceu alguma coisa? — perguntou Chuck ao chegar em casa. Eu cortava legumes para refogar. Ele olhou para o meu rosto. — Você está chorando?
— São as cebolas — funguei, enquanto uma lágrima serpenteava pela minha face.
Depois do jantar, eu disse:
— Vamos ligar para ela. Talvez esteja esperando que liguemos.
— Mas só fazem dois dias — disse Chuck. — Vamos lhe dar pelo menos uma semana para se assentar.
Ele tinha razão, é claro. Eu não queria me transformar numa espécie de mãe psicótica. Me lembrei de como era ter dezoito anos e estar longe de casa pela primeira vez. Ela estava fazendo novos amigos, aprendendo novas idéias, formando novos elos. Eu precisava lhe dar espaço, a distância da qual precisava.
Então, o telefone tocou.
— Oi, mãe — disse Sarah. — Dava para você mandar umas fotos para eu colocar no quadro de cortiça? E alguns bichinhos de pelúcia?
Ela queria o ursinho. Queria uma foto minha com o pai — e uma do irmão mais novo. Adorava estar na faculdade, mas também sentia saudades nossas. E então começou a me contar sobre o seu dia, sobre as aulas, sobre os professores, sobre os meninos dos quais gostava, sobre os meninos que gostavam dela...

BETH COPELAND VARGO

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Amor de mãe

Estou convencido de que o maior legado que podemos deixar
para os nossos filhos são lembranças felizes.

OG MANDINO



Quando penso na família de Clara Harden, o que me vem à mente é a felicidade. O som de risos sempre me acolheu em minhas visitas.
O modo de vida deles era muito, mas muito diferente do meu. A mãe de Clara acreditava que alimentar a mente era mais importante do que realizar tarefas triviais. Para ela, cuidar da casa não era uma grande prioridade. Com cinco filhos de idades variadas — indo de Clara, a mais velha, com doze anos, a um bebê de dois anos —, essa falta de ordem às vezes me incomodava, mas nunca por muito tempo. Aquela casa vivia imersa em algum estado de caos, com pelo menos uma pessoa em crise — real ou imaginária. Mas eu adorava fazer parte daquele bando turbulento, com sua atitude despreocupada e positiva perante a vida. A mãe de Clara nunca estava ocupada demais para nós. Parava de passar roupa para nos ajudar com algum projeto da equipe de chefes de torcida ou então desligava o aspirador de pó para convocar a trupe inteira para um passeio no bosque para colher espécimes para o projeto de ciências de algum filho.
Nunca dava para saber o que você ia acabar fazendo quando visitava aquela família. Suas vidas eram repletas de divertimento e de amor — de muito amor.
Assim, o dia em que as crianças da família Harden saltaram do ônibus escolar com olhos vermelhos e inchados, eu soube que algo de muito errado havia acontecido. Corri até Clara e puxei-a para um canto implorando para ouvir o que havia acontecido, mas sem estar preparada para a resposta. Na noite anterior, a mãe de Clara lhes contara que tinha um tumor terminal no cérebro e que lhe restava apenas alguns meses de vida. Eu me lembro tão bem daquela manhã. Clara e eu fomos para trás do prédio da escola onde soluçamos, abraçadas, sem saber como dar fim àquela dor incrível. Ficamos ali, compartilhando o nosso pesar até tocar o sinal para a primeira aula.
Vários dias se passaram até eu ir à casa dos Harden outra vez. Apreensiva com a angústia e o sofrimento e habitada por uma imensa culpa por minha vida ter continuado igual, fui protelando até minha mãe me convencer de que não podia negligenciar minha amiga e sua família num momento de tristeza.
Então fui fazer-lhes uma visita. Quando entrei na casa, para minha surpresa e deleite, ouvi música alegre e uma barulheira de vozes numa animada discussão entrecortada por risadas e gemidos queixosos. A Sra. Harden estava sentada no sofá jogando Banco Imobiliário com todos os filhos à sua volta. Todos me receberam com sorrisos enquanto eu lutava para conter o meu assombro. Não era isto que eu esperava.
Finalmente, Clara desvencilhou-se do jogo e fomos para o seu quarto, onde ela me explicou o que estava acontecendo. A mãe lhes dissera que o maior presente que poderiam lhe dar era tocar a vida como se nada estivesse errado. Queria que suas últimas recordações fossem felizes e todos haviam concordado em se esforçar.
Um dia, a mãe de Clara me convidou para um evento especial. Corri para lá e a encontrei com um imenso turbante dourado na cabeça. Ela me explicou que havia resolvido usar aquilo em vez de uma peruca, já que os cabelos começavam a cair. Colocou miçangas, cola, hidrográficas coloridas, tesouras e pano sobre a mesa e nos instruiu a enfeitá-lo, enquanto permanecia sentada como o mais nobre marajá. Transformamos um turbante sem graça num objeto de chamativa beleza, cada um de nós dando o seu toque especial. Mesmo enquanto discutíamos onde colocar a bugiganga seguinte, eu me dei conta do quanto a Sra. Harden estava pálida e frágil. Mais tarde, tiramos uma foto com a mãe de Clara, cada qual apontando orgulhosamente para a sua contribuição para o turbante. Uma recordação divertida de se guardar — muito embora o temor silencioso de que ela nos deixasse não estivesse muito longe.
Finalmente chegou o triste dia em que a mãe de Clara morreu. Nas semanas que se seguiram, a angústia e a dor dos Harden foi algo impossível de descrever.
Então, um dia, cheguei na escola e encontrei uma Clara muito animada, rindo e gesticulando alvoroçada diante dos colegas de turma. Ouvi o nome de sua mãe ser repetido com freqüência. A velha Clara estava de volta. Quando cheguei ao seu lado, ela me explicou o motivo de sua alegria. Naquela manhã, ao vestir a irmãzinha mais nova para a escola, havia encontrado um bilhete engraçado que a mãe escondera dentro da meia da menina. Era como ter a mãe de volta.
Naquela tarde, a família Harden virou a casa de cabeça para baixo à caça de mais recados. Cada nova mensagem encontrada era compartilhada, embora algumas tenham passado despercebidas. No Natal, ao tirarem os enfeites do sótão, encontraram uma maravilhosa mensagem de Natal.
Nos anos que se seguiram, as mensagens continuaram a surgir, esporadicamente. Uma emergiu até mesmo na formatura de Clara, e outra, no dia de seu casamento. A mãe havia confiado cartas a amigos, que as entregavam em cada ocasião especial. Até mesmo no dia em que nasceu o primeiro filho de Clara, chegou um cartão com uma comovente mensagem. Cada filho recebeu esses bilhetes curtos e engraçados ou então cartas repletas de amor, até o último se tornar adulto.
O Sr. Harden se casou outra vez e no dia de seu casamento um amigo lhe entregou uma carta escrita pela esposa — a ser lida para os filhos — na qual ela lhe desejava felicidades e instruía os filhos a cercarem a madrasta de amor, pois tinha imensa fé de que o pai jamais escolheria uma mulher que não fosse generosa e carinhosa com seus preciosos rebentos.
Muitas vezes pensei na dor que a mãe de Clara deve ter sentido ao escrever aquelas cartas para os filhos. Também imaginei a alegria traquinas que a invadia enquanto escondia aqueles bilhetinhos. Mas em nenhum momento deixei de me impressionar com as recordações maravilhosas que ela proporcionou para aquelas crianças apesar da dor que sofreu, em silêncio, e da angústia que deve ter sentido em deixar a sua adorada família. Esses atos de desprendimento exemplificam o maior amor materno que jamais conheci.

PAT LAYE

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Aprendendo a escutar

Um ano, viajei para uma conferência de escritores. Ao chegar em casa, em Atlanta, minha família me aguardava. Depois de nos abraçarmos, comecei a lhes contar sobre a viagem. Ou, pelo menos, tentei. Todos queriam me contar alguma novidade diferente — especialmente Jeremy, de oito anos. Pulava para cima e para baixo para ser ouvido e falava mais alto do que as outras crianças, mais alto até do que meu marido, Jerry.
Todo mundo precisa de alguma coisa de mim, pensei. Não querem nem saber sobre a minha viagem. O que é mesmo que Jeremy não pára de repetir?
— Cartolina, mamãe! Eu preciso de cartolina. Vamos ter um concurso lá na escola.
Acalmei-o, com evasivas, prometendo que conversaríamos mais tarde. De volta ao lar, me reacostumei ao telefone, à campainha, a separar a roupa suja, a participar do revezamento de mães que levam as crianças na escola, a responder perguntas e a secar líquidos entornados. Eu lutava contra a arrepiante certeza de que, por mais que tentasse, não conseguia acompanhar as necessidades de minha família. Enquanto andava de um lado para o outro, apressada, tentando decidir o que fazer a seguir, Jeremy me lembrava:
— Manhê, preciso de cartolina.
Pouco a pouco, entretanto, passou a falar mais baixo, quase como se falasse com ele mesmo. Assim, coloquei o pedido de Jeremy no final da minha longa lista de afazeres. Talvez ele simplesmente desista de falar nessa cartolina, pensei, esperançosa.
Em meu terceiro dia em casa, consegui roubar quinze minutinhos para tentar digitar um artigo. Sentada diante da máquina de escrever, ouvi a secadora parar. Hora de colocar outro cesto de roupa para secar. Dois telefonemas importantes precisavam ser retornados. Uma de minhas filhas havia implorado comigo, diversas vezes, para ouvi-la recitar parte de “Os Cantos de Cantuária”. Uma das gatas passou mais de uma hora miando na minha cara, tentando fazer com que a alimentasse. Alguém havia derramado suco de laranja no chão da cozinha e lambuzado tudo com uma toalha seca. Já passava da hora de começar a preparar o jantar e eu ainda nem havia almoçado. Não obstante, escrevi alegremente durante alguns parcos minutos.
Uma pequena sombra caiu sobre a minha folha de papel. Eu sabia quem era antes mesmo de erguer a vista. Levantei os olhos, mesmo assim. Jeremy ficou ali, de pé, me observando calado. Oh, Senhor, permita que ele não toque no assunto outra vez. Eu sei que precisa de cartolina. Mas eu preciso escrever. Sorri muito sutilmente para Jeremy e continuei a digitar. Ele me olhou por mais alguns minutos e virou-se para ir embora. Por pouco não o ouço comentar:
— Tudo bem, o concurso termina amanhã mesmo.
Eu queria tanto escrever que, com um esforço mínimo, poderia ter deixado de ouvir aquela observação. Mas não dava para ignorar a voz silenciosa que falou, com urgência, direto ao meu coração. Vá comprar a cartolina dele — agora! Desliguei a máquina de escrever elétrica.
— Vamos comprar cartolina, Jeremy.
Ele parou, virou e me olhou sem sorrir e sem nada dizer — quase como se não tivesse me ouvido.
— Vamos — eu o apressei, agarrando a bolsa e as chaves do carro.
Mesmo assim, ele não se mexeu.
— Precisa comprar mais alguma coisa, mamãe?
— Não, só a sua cartolina.
Caminhei em direção à porta. Ele molengou um pouco e perguntou:
— Está indo à papelaria só por minha causa?
Parei e baixei a cabeça para olhá-lo. Realmente olhá-lo. Marcas do que quer que tivesse comido na escola manchavam sua camisa. Os sapatos largos desamarrados e os restos de suco de laranja que viravam para cima os cantos daquela boquinha sem sorriso conferiam a Jeremy a aparência de um palhacinho.
Subitamente, uma expressão de puro deleite invadiu o seu rosto, apagando qualquer traço de incredulidade. Não creio que jamais esquecerei aquele momento. Dali em diante, passou a movimentar-se com incrível rapidez e, correndo para a base da escada, atirou a cabeça para trás e gritou:
— Ei, Julie, Jen, Jon, a mamãe vai me levar à papelaria! Alguém precisa de alguma coisa?
Ninguém respondeu, mas ele não pareceu notar. Correu para o carro com expressão de manhã de Natal. Na loja, em vez de correr à minha frente, segurou firme a minha mão e começou a falar muito rápido, contando sobre o concurso.
— O assunto é prevenção contra incêndios. A professora anunciou há muito tempo e, quando falei com você, você disse que a gente falava disso mais tarde. Aí, você viajou. O concurso termina amanhã. Vou ter de dar um duro danado. E se eu ganhar?
E ele foi em frente com infindável entusiasmo, como se tivesse pedido que eu comprasse a cartolina uma única vez.
Jeremy não queria um pedido de desculpas. Isso teria estragado a sua alegria. Então, me limitei a escutá-lo. Prestei mais atenção no que dizia do que jamais havia prestado, para quem quer que fosse. Depois que comprou a cartolina, eu perguntei:
— Vai precisar de mais alguma coisa?
— Você tem bastante dinheiro? — sussurrou.
Sorri para ele, sentindo-me muito rica de repente.
— Tenho, por acaso hoje eu estou cheia de dinheiro. Do que mais precisa?
— Você pode comprar uma cola só para mim e cartolina colorida?
Peguei os artigos restantes e, ao chegarmos ao caixa, Jeremy, que normalmente não faz confidencias a estranhos, disse:
— Vou fazer um pôster. Minha mãe me trouxe até aqui para comprar o material. — Ele tentava soar natural, mas o rosto o entregava.
Passou a tarde toda trabalhando no pôster, silenciosamente e com enorme determinação.
O vencedor do concurso foi anunciado pelo alto-falante da escola dois dias depois. Jeremy ganhou. Seu pôster foi então inscrito no concurso do condado. Venceu este também. O diretor da escola escreveu-lhe uma carta e anexou um cheque de cinco dólares. Jeremy escreveu uma história sobre o concurso. Deixou-a sobre a cômoda e eu a li. Uma frase saltou aos meus olhos: “Então a mamãe parou de bater à máquina, escutou o que eu estava dizendo e me levou, eu sozinho, na papelaria.”
Algumas semanas mais tarde, um imenso envelope pardo chegou pelo correio endereçado a Jeremy. Ele o abriu com um rasgão e leu em voz alta — lentamente e quase sem acreditar — o Certificado de Honra: “Este documento atesta que Jeremy West tem a honra de chegar às finais estaduais do Concurso de Pôsteres da Geórgia com o tema Prevenção contra Incêndios.” Fora assinado pelo tesoureiro-geral do estado.
Jeremy se atirou no chão e deu cambalhotas, rindo bem alto. Emolduramos o certificado e, com freqüência, quando o olho, lembro-me de que, por muito pouco, quase dera as costas para o seu pedido: de que comprasse uma cartolina para ele.

MARION BOND WEST

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A fé se aprende pelo amor

Quando lembro a figura de minha mãe me vem à memória o livro escrito sobre ela por todos os filhos e netos (Mãe Helena, a Oma – Curitiba, 1995). Minha mãe, extremamente dedicada a meu pai, sabia também cultivar no coração dos filhos o amor a todas as pessoas e o respeito para com os idosos e as crianças.
A recordação mais antiga que guardo de mamãe é da época em que eu tinha uns três anos de idade: ela me revelou que eu tivera uma irmãzinha chamada Irma que morrera com um ano e meio. Era véspera de Finados. No dia seguinte iríamos todos rezar pelos falecidos. Passei a tarde e a noite pensando como teria sido minha irmãzinha falecida. “Irma não pode mais voltar pra ficar conosco?”, perguntei a mamãe. Ela explicou que os mortos estão vivos, mas com Deus, numa grande família em que tudo é só alegria, e que eles nos ajudam. E prometeu: “Amanhã, na capela da colônia”, eu iria sentir isso.
Sonho e excitação se misturaram. “Amanhã” seria o dia! Iria ver como Irma, bem viva junto a Deus, nos apareceria. Eu iria vê-la! Sabia que a capela, a maior e mais bela construção da colônia, era a Casa de Deus. Não me lembro se a expectativa me deixou dormir aquela noite.
Calça de brim, camisa estampada, procurei meus tamancos. Só cheguei a conhecer sapatos aos oito anos. Arrumado, andava à frente de todos, a caminho da capela.
Ocupamos o terceiro banco. O altar, de madeira esculpida, devia estar encobrindo o reino da alegria onde Deus se encontrava com sua família, minha irmãzinha à nossa espera.
Tudo começou com o canto. Era o povo e o coral, tão presente nas colônias alemãs, que se revezavam com as orações “puxadas” pelo tio Jacó. De vez em quando me levantava do banco para ver se não acontecia o que fora prometido por mamãe. Irma iria aparecer. Talvez em meio aos anjos, perto de Deus Pai. Iria reconhecê-la de imediato e buscá-la para trazer comigo, saltitando morro abaixo, percorrendo os duzentos metros que separavam nossa casa da capela.
Em certo momento houve uma pausa. “É agora”, pensei. Olhei para o lado. Todos de cabeça abaixada refletiam. Mas eu queria ver, e iria ver. Disso estava seguro.
A hora e meia de cantos, preces e intenções sempre me parecera comprida demais. Naquele dia, não, porque esperava o principal: ver a família de Deus e os amigos dele, entre os quais Irma, que eu amava sem nunca a ter visto. Devia estar vestida de branco, ou de vestido de chita colorido. Cabelos castanhos ou louros. Alegre, muito alegre, como todos em casa.
Tive um choque quando papai se levantou e me tomou pela mão. Ele, o chefe da colônia, certamente teria o direito de encontrar-se primeiro com Deus, que era chefe maior ainda e pai de família numerosa. Papai foi saindo do banco, fez uma reverência na direção do altar e se dirigiu à porta da saída da capela.
Talvez o encontro fosse à frente da capela, o lugar mais festivo da colônia, onde se faziam as festas, os leilões e as quermesses. Lá é que se cortavam as melancias arrematadas, os bolos comprados e as garrafas de gasosa, o refrigerante mais apreciado no lugar.
Todavia, à frente da capela só restavam o vazio e o verde das pastagens. Papai me segurou mais firme pela mão enquanto eu buscava descobrir onde estava mamãe para perguntar-lhe quando Irma iria aparecer.
Fomos ao cemitério, a cinqüenta passos dali. Paramos à frente de um túmulo cercado de tijolos, enfeitado com muitas flores. Aí chegou mamãe: rosto sereno, quase alegre. Ela era sempre assim quando acabava de rezar. Reclamei:
— Mãe, não vi a Irma. Você prometeu que ela voltava hoje.
Nem sei como cheguei a falar tanto. O auge da emoção já se misturava com a decepção. Minha mãe acolheu, carinhosa, minha decepção:
— Filho, vamos rezar mais um pouco.
Foi o tempo do pai-nosso e ave-maria, as únicas orações que eu sabia rezar junto. Quando acabou a prece, ela encostou a cabeça na minha, pôs a mão em meu ombro e disse: — A gente vê Deus quando reza direito e sente que ele está perto de nós para nos ajudar em tudo. Sua irmã Irma vai ser sua companheira durante toda a vida para ajudá-lo. Só que você não pode vê-la como vê a casa, o cachorrinho e a gente. Nós vemos Deus e os amigos dele quando gostamos deles. É o coração que vê.
Não entendi tudo. Mas, na vida, muitas vezes me soou a frase: “É o coração que vê Deus e seus amigos.”
A fé se aprende pelo amor.

D. PAULO EVARISTO ARNS
Extraído do livro Da Esperança à Utopia

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mães e filhas

— Você não vai esquecer de trazer o espremedor de batatas, vai? — perguntei à minha mãe logo depois de lhe contar que teria de fazer uma mastectomia. Mesmo aos oitenta e dois anos de idade e a quatro mil e oitocentos quilômetros de distância, ela sabia o que eu queria dizer com aquilo: purê de batatas bem ralinho.
Era isso que preparava para mim a cada doença ou percalço de minha infância — servido numa tigela de sopa com uma reluzente colher redonda. Mas eu havia tido sorte quando criança e raramente adoecia. Era mais freqüente que aquela batata medicinal resolvesse algum desapontamento ou resfriado. Desta vez, no entanto, a doença era séria.
Chegando no vôo da meia-noite, vindo da Virgínia, minha mãe me pareceu fresca como uma margarida quando passou pela porta de minha casa, na Califórnia, no dia em que voltei do hospital. Eu mal conseguia manter os olhos abertos, mas a última coisa que vi antes de adormecer foi mamãe abrindo o zíper da mala cuidadosamente arrumada para pegar o espremedor de batatas de sessenta anos de idade. Aquele que ganhou no chá de panelas, com um cabo de madeira já gasto e anos de recordações.
Ela estava na cozinha espremendo batatas para fazer purê no dia em que lhe contei, chorosa, que teria de me submeter a uma quimioterapia. Ela baixou o espremedor e me olhou diretamente nos olhos.
— Fico com você o tempo que for necessário — disse-me ela. — Não tenho nada mais importante a fazer nesta vida do que ajudá-la a ficar bem. — Eu sempre achara que era a teimosa da família, mas nos cinco meses que se seguiram percebi que herdara essa característica muito honestamente.
Minha mãe decidiu que eu não ia morrer antes dela. Simplesmente não aceitaria aquilo. Me levava para fazer caminhadas diárias até mesmo quando eu não agüentava passar da entrada da garagem. Amassava as pílulas que eu tinha de tomar e as enfiava em geléias porque, até mesmo na meia-idade e com uma filha crescida, eu não conseguia engolir comprimidos muito melhor do que quando era criança.
Quando meus cabelos começaram a cair, ela comprou os chapéus mais engraçadinhos para mim. Me dava refrigerante de gengibre sem gelo numa taça de cristal para acalmar a minha barriga e ficava acordada comigo nas noites de insônia. Servia-me chá em xícaras de porcelana.
Quando eu estava para baixo, ela estava para cima. Quando ela estava para baixo, eu devia estar dormindo. Nunca deixou que eu a visse assim. E, no final, eu fiquei boa. E voltei a escrever.
Descobri que o Dia das Mães não acontece em algum domingo de maio e sim em todos os dias em que se tem a sorte de ter por perto uma mãe que nos ama.

PATRÍCIA BUNIN

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Telefonema à meia-noite

Uma das necessidades humanas mais antigas é ter alguém para se
perguntar onde você está quando não volta para casa à noite
MARGARET MEAD

Todos nós conhecemos a sensação de receber aquele telefonema no meio da noite. O telefonema daquela noite não foi diferente. Pulando da cama para atender àquela convocação tilintante, focalizei os números vermelhos e luminosos do relógio. Meia-noite. Pensamentos aterrorizantes enchiam minha mente, um tanto atordoada pelo sono, quando agarrei o fone.
— Alô?
Com o coração ribombando dentro do peito, segurei o fone com mais força ainda e olhei para meu marido, que agora se virava para ficar de frente para mim.
— Mamãe? — A estática mal permitia que eu ouvisse o sussurro. Mas meus pensamentos imediatamente voltaram-se para minha filha. Quando o som desesperado de uma voz jovem e chorosa ficou mais nítido através da linha telefônica, tateei em busca de meu marido e pressionei seu punho.
— Mamãe, eu sei que é tarde. Mas não... não diga nada até eu terminar. E antes que você pergunte, sim, eu andei bebendo. Quase perdi a direção e saí da estrada há alguns quilômetros e...
Resfoleguei — um arquejo brusco, entrecortado. Soltei meu marido e pressionei a mão de encontro à testa. O sono ainda anuviava a minha mente e tentei vencer o pânico. Algo não estava certo.
— Fiquei tão assustada. Só conseguia pensar no tamanho da sua dor se um policial batesse à sua porta para lhe dizer que eu estava morta. Eu quero... quero ir para casa. Sei que você está doente de tanta preocupação. Eu deveria ter ligado há dias, mas estava com tanto medo... com tanto medo...
Soluços do mais profundo sentimento fluíram de dentro do fone e desaguaram no meu coração. Imediatamente, visualizei o rosto de minha filha e meus sentidos enevoados pareceram clarear.
— Acho...
— Não! Por favor, deixe-me terminar! Por favor! — ela implorava, menos por zanga do que por desespero.
Fiz uma pausa e tentei pensar no que dizer. Antes que pudesse ir em frente, ela continuou:
— Estou grávida, mamãe. Sei que não deveria estar bebendo agora... justamente agora, mas estou com medo, mamãe. Com tanto medo!
A voz se calou outra vez e eu mordi o lábio sentindo os olhos umedecerem. Olhei para o meu marido sentado, imóvel, fazendo movimentos com a boca sem emitir um único som: “Quem é?”
Balancei a cabeça e, como não respondi, ele pulou da cama e deixou o quarto, retornando segundos depois com o sem-fio colado ao ouvido.
Ela deve ter ouvido o clique na linha, pois continuou:
— Você ainda está me ouvindo? Por favor, não desligue! Preciso de você. Estou me sentindo tão sozinha.
Apertei o telefone na mão e fitei meu marido em busca de orientação.
— Estou aqui, eu não desligaria o telefone — disse eu.
— Eu deveria ter lhe contado, mamãe. Sei que deveria ter lhe contado. Mas, quando a gente conversa, você só fica dizendo o que eu devo fazer. Lê todos aqueles folhetos sobre como conversar com os filhos sobre sexo, e tudo o mais, mas só faz falar. Você não me escuta. Nunca deixa eu lhe dizer como me sinto. É como se o que sinto não tivesse importância. Como você é minha mãe, acha que tem todas as respostas. Mas algumas vezes não preciso de respostas. Só quero alguém que me escute.
Engoli o bolo que se formava em minha garganta e fiquei olhando, fixamente, para os folhetos de “Como conversar com seus filhos” espalhados sobre a mesinha-de-cabeceira.
— Estou ouvindo — sussurrei.
— Sabe, lá na estrada, quando consegui controlar o carro outra vez, comecei a pensar no bebê, em cuidar dele. Então, vi o telefone público e foi como se pudesse ouvir você dizer que ninguém deve beber e dirigir. Então chamei um táxi. Quero ir para casa.
— Que bom, meu bem — afirmei, o alívio inundando o meu peito. Meu marido chegou mais perto, sentou-se ao meu lado e entrelaçou os dedos nos meus. Compreendi, pelo toque, que ele achava que eu estava fazendo e dizendo a coisa certa.
— Mas, sabe, acho que já consigo dirigir.
— Não! — vociferei. Meus músculos enrijeceram e eu apertei ainda mais a mão de meu marido. — Por favor, espere o táxi. Não desligue até o táxi chegar.
— Eu só quero ir para casa, mamãe.
— Eu sei. Mas faça isso pela mamãe. Espere o táxi, por favor.
Fiquei ouvindo aquele silêncio, amedrontada. Quando a resposta não veio, mordi o lábio e fechei os olhos. De alguma maneira, eu precisava impedir que ela dirigisse.
— Pronto, o táxi chegou.
Só senti a tensão diminuir quando ouvi alguém ao fundo perguntar sobre um táxi.
— Estou indo para casa, mamãe. — Então fez-se um clique e o telefone ficou mudo.
Levantando da cama com lágrimas formando em meus olhos, atravessei o corredor e fui até o quarto de minha filha de dezesseis anos. O silêncio sombrio fazia pesar o ar. Meu marido chegou por trás de mim, passou os braços em torno de meu corpo e pousou o queixo no topo de minha cabeça.
Sequei as lágrimas das faces.
— Precisamos aprender a escutar — disse-lhe.
Ele me virou para que eu pudesse encará-lo.
— E vamos aprender. Você vai ver. — Então me abraçou e eu afundei a cabeça em seu ombro.
Deixei que ele me abraçasse por diversos minutos, então me afastei e cravei os olhos na cama. Ele me fitou por um instante e, então, perguntou:
— Acha que algum dia ela vai se dar conta de que discou o número errado?
Olhei para nossa filha, adormecida, e novamente para ele.
— Talvez não tenha sido tão errado assim.
— Mãe, pai, o que é que vocês estão fazendo? — perguntou aquela vozinha jovem, chegando abafada de debaixo do cobertor.
Aproximei-me de minha filha, que agora se encontrava sentada, olhos fitando a escuridão.
— Estamos treinando — respondi.
— Treinando o quê? — murmurou ela, deitando-se outra vez sobre o colchão, os olhos já fechados, o sono chegando.
— A escutar — disse eu, bem baixinho, roçando a mão levemente em sua face.

CHRISTIE CRAIG

domingo, 1 de novembro de 2009

Flores para o Dia das Mães

Quando meu marido anunciou calmamente que, após onze anos de casamento, havia dado entrada em nosso divórcio e estava saindo de casa, meu primeiro pensamento foi para os meus filhos. O menino tinha apenas cinco anos e a menina, quatro. Será que eu conseguiria nos manter unidos e passar para eles um sentido de “família”? Será que eu, criando-os sozinha, conseguiria manter o nosso lar e ensinar-lhes a ética e os valores dos quais certamente precisariam para a vida? A única coisa que eu sabia era que precisava tentar.
Freqüentávamos a igreja todos os domingos. Durante a semana, eu arranjava tempo para rever os deveres de casa com eles e, freqüentemente, discutíamos a importância de fazermos as coisas certas. Isso me tomava tempo e energia quando eu tinha pouco de ambos para dar. Mas o pior era não saber se realmente estavam absorvendo aquilo tudo.
Ao entrarmos na igreja no Dia das Mães, dois anos após o divórcio, notei carrocinhas cheias de vasos com as mais lindas flores ladeando o altar. Durante o sermão, o pastor disse que, a seu ver, ser mãe era uma das tarefas mais difíceis da vida e que merecia não só reconhecimento como, também, recompensa. Assim, pediu que cada criança fosse até a frente da igreja para escolher uma linda flor e entregá-la à mãe como símbolo do quanto era amada e estimada.
De mãos dadas, meu filho e minha filha percorreram o corredor com as outras crianças. Juntos, refletiram sobre qual planta trazer para mim. Nós havíamos passado momentos muito difíceis e esse pequeno gesto de valorização era tudo que eu precisava. Olhei aquelas lindas begônias, as margaridas douradas e os amores-perfeitos violetas e pus-me a planejar onde plantar o que quer que escolhessem para mim, pois certamente trariam uma linda flor como demonstração de seu amor.
Meus filhos levaram a tarefa muito a sério e olharam cada vaso. Muito depois de as outras crianças já terem retornado aos seus lugares e presenteado suas mães com uma linda flor, meus dois ainda escolhiam. Finalmente, com um grito de alegria, acharam algo bem no fundo. Com sorrisos exuberantes a iluminar seus rostos, avançaram satisfeitos pelo corredor até onde eu estava sentada e me presentearam com a planta que haviam escolhido como demonstração de seu apreço por mim pelo Dia das Mães.
Fiquei olhando estarrecida para aquele pequeno ser roto, murcho e doentio que meu filho estendia em minha direção. Aflita, aceitei o vaso de suas mãos. Era óbvio que os dois haviam escolhido a menor planta, a mais doente de todas — nem flor tinha. Olhando para seus rostinhos sorridentes, percebi o orgulho que sentiam daquela escolha e, sabendo o quanto haviam demorado para selecionar aquela planta em especial, sorri e aceitei a lembrança.
Mais tarde, no entanto, tive de perguntar — de todas aquelas flores maravilhosas, o que os havia feito escolher justamente aquela para me dar?
Todo orgulhoso, meu filho declarou:
— É que aquela parecia precisar de você, mamãe.
Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, abracei meus dois filhos, bem apertado. Eles acabavam de me dar o maior presente de Dia das Mães que jamais poderiam ter imaginado. Todo o meu trabalho e sacrifício não havia sido em vão — eles iam crescer perfeitamente bem.

PATRÍCIA A. RINALDI