abril acabar acontecer admin afirmo agosto agradecer ah ai ajuda alegria algua alguma alheia almeida ama amar amor ansiedade aonica apegue-se appeared aprenda aprendendo aprender aproveite assunto ata banalizar boas ca cabe caminho capacidade capazes cicatrizes cintia coisas comeasso confianassa coraassapso coragem costas criar cuidado deixa deixar deixe delas depressapso desejo despedida desperte deus devemos dezembro dias dinheiro disposto doaassapso dor ego enfim ensina entapso errado erros escolhas escolher espinho espinhos espiritual esponja estamos estapso esteja estiver estresse existe existem existir fa faassa falando felicidade feliz felizes fev fevereiro ficar filtro fique first fiz flor forassa forte fosse frases frente fundo gente gilson gosta gostaria gratidapso ha heranassa idade importa importante ir iria ja jago jamais janeiro jesus julgamentos julho juliana junho juntas junto juntos la leia lhe liberdade lindas livre lo ma maio maneiras mantra mantras marasso medo melhor melhores mensagens mente mesmo mestre mim morte motivaassapso muda mudar mulheres mundo negatividade ningua nishiyama novembro olha olhar on oraassapso ouassa outubro ouvir pai palavras parede participar passa paz pensa pensamentos perdemos perguntas permanecer pertinvolzes pessoa pessoas pior post postado postagens pra precisa pria prio problemas provavelmente qualquer queira questaues quiser raiva real realmente refletir reflexapso relaassaues relacionamento relacionamentos respostas reze ria rias rio sa saber saiba seja sejam sejamos seletivos sentimento sentimentos sentir sera setembro sexo si simpatia sinais solidapso sozinho sucesso supere tamanho tamba tempo tenha the tipo toma torna total tra tristeza trofa universo utilidade valorizar vamos veja velho veneno verdade verdadeiro vida vive viver vontade vou

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Amor vem antes e sexo vem depois, ou não, por Arnaldo Jabor

Quando contei, na semana passada, que a Rita Lee tinha feito uma música com letra de um artigo que escrevi sobre "amor e sexo", choveram e-mails pedindo o texto. Fiquei feliz com a música (que é linda) e porque me senti coadjuvante dessa luz que ela acendeu na cultura brasileira. Rita é um caso sério. Ela brilha, purpurina, avermelha, cintila, se traveste, cresce e diminui, incha e emagrece mas, no fundo, ela é um caso sério. Ela faz essa visagem toda para nos fazer engolir uma dourada pílula: sua importância cultural e política no País. Rita tirou São Paulo da caretice, foi a guerreira da alegria durante a ditadura pois, em 68, ela estava de noiva, florida, com caras e bocas, mutante, provando que, marchassem ou não os soldados, sua metamorfose continuaria e que sua alegria, alegria, era mesmo a prova dos noves.

Rita não é só para ser ouvida; seus shows são um comício. A liberdade fica ali na cena, de back vocal, enquanto a Pátria, de botas e cabelo punk, dança rock, seguindo-a pelo palco como um Pluft. Eu não entendo de música, mas vejo a Rita aprontando há 30 anos, menina teimosa, sozinha, atacando o óbvio. Mas, seu protesto nunca foi chato, sua superficialidade é profunda.

Como Rita é original... ninguém é como ela no Brasil... Me lembro quando ela criou uma marca no braço, sei lá, "ritalee", como um Chevrolet, Shell, pois ela sabe que não somos um "sujeito único", muito antes dessas pós-modernidades aí. Ela é uma pré-Björk. Ela nunca cantou de um só ponto de vista, porque Rita são várias; no palco, ela parece um conjunto.

Rita é a "mina" das "minas" de Sampa, frágil e corajosa, do balacobaco. Por isso, orgulhoso, atendendo aos e-mails que pedem explicação sobre esses estranhos tremores, gemidos e espumas que chamamos de amor-sexo, "copidesquei" o antigo texto e o republico, com petulante jeito de quem sabe das respostas - ai de mim, pobre pierrô fingindo de arlequim!...

Aí vai o flash-back:

"Amor é propriedade. Sexo é posse. Amor é a lei; sexo é invasão.

O amor é uma construção do desejo. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre com tesão.

Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio ou veneno - depende da quantidade ingerida.

O sexo vem antes. O amor vem depois. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.

No sexo, o pensamento atrapalha.

O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas. O amor é o desejo de atingir a plenitude. Sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude.

O amor vive da impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. O seexo pode ser, dependendo da posição adotada. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário não acontece. Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.

O amor é mais narcisista, mesmo na entrega, na 'doação'. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo do egoísmo.

Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do 'outro'. O sexo, mesmo solitário, precisa de uma 'mãozinha'. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até na maior solidão e na saudade. Sexo, não - é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora. O amor vem de nós. O sexo vem dos outros. 'O sexo é uma selva de epilépticos' (N. Rodrigues). O amor inventou a alma, a moral. O sexo inventou a moral também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.

O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um cowboy - quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: 'Faça amor, não faça a guerra.' Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas. O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica.

O sexo sempre existiu - das cavernas do paraíso até as 'saunas relax for men'. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provençais do século 12 e, depois, relançado pelo cinema americano da moral cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem - o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção; sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira controlá-lo é programá-lo, como faz a indústria da sacanagem. O mercado programa nossas fantasias.

Não há 'saunas relax' para o amor, onde o sujeito entre e se apaixone. No entanto, em todo bordel, finge-se um 'amorzinho' para iniciar. O amor virou um estímulo para o sexo.

O problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. Amor busca uma certa 'grandeza'. O sexo é mais embaixo. O perigo do sexo é que você pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade. Com camisinha, há 'sexo seguro', mas não há camisinha para o amor.

O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é a lei. Sexo é a transgressão. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo é o sonho dos casados. Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da surpresa. O grande amor só se sente na perda. O grande sexo sente-se na tomada de poder.

Amor é de direita. Sexo, de esquerda - ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta."

E, por aí, vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos fazer esquecer a morte. Ou não; sei lá... E-mails de quem souber para a redação.

domingo, 30 de maio de 2010

Paciência, por Arnaldo Jabor

Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo?
O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você? Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia
vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...

sábado, 29 de maio de 2010

Escolhas, por Pedro Bial

"A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!"

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Tudo que sei aprendi no jardim de infância, por Pedro Bial

Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo dia.

Estas são as coisas que aprendi:
1. Compartilhe tudo;
2. Jogue dentro das regras;
3. Não bata nos outros;
4. Coloque as coisas de volta onde pegou;
5. Arrume sua bagunça;
6. Não pegue as coisas dos outros;
7. Peça desculpas quando machucar alguém; mas peça mesmo !!!
8. Lave as mãos antes de comer e agradeça a Deus antes de deitar;
9. Dê descarga; (esse é importante)
10. Biscoitos quentinhos e leite fazem bem para você;
11. Respeite o limite dos outros;
12. Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense um pouco... desenhe... pinte... cante... dance... brinque... trabalhe um pouco todos os dias;
13. Tire uma soneca a tarde; (isso é muito bom)
14. Quando sair, cuidado com os carros;
15. Dê a mão e fique junto;
16. Repare nas maravilhas da vida;
17. O peixinho dourado, o hamster, o camundongo branco e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem... nós também.

Pegue qualquer um desses itens, coloque-os em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo, ao seu mundo e vai ver como ele é verdadeiro, claro e firme. Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos e leite todos os dias por volta das três da tarde e pudéssemos nos deitar com um cobertorzinho para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem como regra básica, devolver as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair. Ao sair para o mundo é sempre melhor darmos as mãos e ficarmos juntos. É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.


"O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem souber ver"...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mude, por Pedro Bial

Mude.
Mas comece devagar,
porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção os lugares por onde você
passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço
alguns dias.
Tire uma tarde inteira pra passear livremente na
praia, ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma do outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de TV, compre outros
jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia,
o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo
jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida, compre pão em outra
padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas,
troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras
poesias.
Jogue fora os velhos relógios,
quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros
teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se que a vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um novo emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais
prazeroso,
mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa,
se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas.
Mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o
dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda!"

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Escreva a Sua História, por Pedro Bial

Escreva a sua história na areia da praia,
Para que as ondas a levem através dos 7 mares;
Ate tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.

Conte a sua história ao vento,
Cante aos mares para os muitos marujos;
Cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.

Escreva no asfalto com sangue,
Grite bem alto a sua história antes que ela seja varrida na
Manha seguinte pelos garis.

Abra o peito em direção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as cátedras de Paris.

Defenda a sua palavra,
A vida nao vale nada se você nao tem uma boa história pra contar.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Filtro Solar, por Pedro Bial

Filtro solar!
Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro
seria esta: usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar estão provados e comprovados pela ciência,
Já o resto de meus conselhos não tem outra base confiável além de minha própria experiência errante.
Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com vocês...

Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da
juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude
até que tenham se apagado.
Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar as suas fotos,
E perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em dia,
Quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua frente.
E como você realmente estava com tudo em cima,
Você não está gordo ou gorda...

Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que
pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar
resolver uma
equação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada,
E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça-feira modorrenta.

Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.

Cante.

Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.

Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.

Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.

Estique-se.

Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida
As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos
vinte e dois
o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda
não sabem.

Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.

Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas
bodas de diamante.

Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você,
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo,
É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder, mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele,
É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.

Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio

Refrão: Brother and Sister
Together we'll make it trough
Someday a spirit will take you
And guide you there
I know you've be hurting
But I've been waiting to be there for you
And I'll be there just helping you out
Whenever I can

Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles
terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu
passado e
possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns
poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar,
Mais você vai precisar das pessoas que você conheceu quando jovem.

More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.

Viaje.

Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você também vai envelhecer.
E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes,
E as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos!!
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.

Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo,
esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.

Mas, no filtro solar, acredite.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Morrer, por Pedro Bial

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos.

Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada.
Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena.

Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam.

A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da
tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente.

De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.

Qual é? Morrer é um cliche.

Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas
cuido eu.

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e
morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito.
Isso é para ser levado a sério?

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas.

Só que esta não tem graça.

domingo, 23 de maio de 2010

Escolhas de uma vida, por Pedro Bial

A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".

Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.

Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.

Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

sábado, 22 de maio de 2010

Depoimento Flávia Cintra, Paraplegia, Superação



Flávia e sua maior conquista: os gêmeos Mateus e Mariana
Flávia e seus filhos, os gêmeos Mateus e Mariana
Um acidente de carro mudou radicalmente a vida de Flávia e a deixou tetraplégica aos 18 anos. O processo de aceitação da nova realidade foi bastante difícil, mas ela decidiu se voltar para as coisas que poderiam ser feitas por ela e não ficar pensando no que não poderia mais fazer.

Flávia hoje está envolvida com diversas atividades, a maioria delas está voltada para assuntos relacionados à inclusão de pessoas com deficiência. Ela também é mãe dos gêmeos Mateus e Mariana e, depois do nascimento deles, sem saber, abriu muitas portas para outras cadeirantes que queriam engravidar mas esbarravam na falta de conhecimento e, consequentemente, no desestímulo à maternidade.
Sua maior realização são seus filhos e seu maior compromisso hoje é conseguir um tempinho para estar perto deles em horas importantes. Seu maior prazer é ver e saber que eles estão bem.


sexta-feira, 21 de maio de 2010

Depoimento Jacques Chulam, Superação


jacques-chuam--superaçãoJacques nasceu em uma família de classe média alta e nunca teve dificuldades para suprir suas necessidades e vontades. Sempre foi apaixonado pelo surf mas aos 11 anos começou a se envolver com drogas.  No devido tempo Jacques ingressou na faculdade e não demorou muito para que resolvesse fazer uma viagem.  O jovem universitário e surfista foi para o Havaí e lá decidiu ficar mais tempo que o planejado.  Buscou  trabalho para conseguir dinheiro e foi assim que começou a traficar drogas.  Acabou voltando para o Brasil, trazido pelo pai mas a faculdade servia só para o social.
Jacques conseguiu um patrocínio e voltou para o Havaí onde, novamente, voltou  para o tráfico. Vendia cada vez maiores quantidades e foi numa tentativa de entrar na Europa por Portugal com drogas que ele foi  preso.  Só a partir daí que veio a reflexão sobre o rumo que havia escolhido para sua vida.  Pensou no sofrimento que estava causando à  sua família, no tempo que ficaria preso e no quanto gostaria de estar com sua namorada e poder acompanhar o crescimento de sua filhinha.

Jacques conseguiu ter sua pena reduzida por bom comportamento e voltou para o Brasil decidido a recomeçar sua vida.   Foi o que fez.  Hoje ele trabalha e é um marido exemplar.  Cuida, curte e educa sua filha  e ainda se dedica a ajudar outras pessoas com sua experiência.

Comments

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Depoimento Lucinha Araújo, Superação


A irreverência e intensidade de Cazuza não o afastava da mãe, Lucinha Araújo que, até o fim, foi sua maior companheira. Quando o filho assumiu que era soropositivo numa época em que todo mundo escondia, serviu de exemplo para muita gente mostrar a cara e combater o silêncio que cercava qualquer comentário sobre a doença.

Ela perdeu seu único filho em 1990 para a AIDS.  Para tentar superar um pouco a dor da perda, foi no próprio Cazuza que Lucinha buscou forças: a coragem dele a inspirou e, apesar do sofrimento, não cruzou os braços. Desde então, se engajou na luta pelo combate à doença, a falta de assistência e informação à frente de uma instituição fundada por ela e que tem o nome do filho.

Lucinha  inaugurou em 1994 a primeira Casa de Apoio Pediátrico a pacientes com AIDS do município do Rio de Janeiro, com capacidade para abrigar 25 crianças  em regime de internato.  Desde então ela se dedica a manter  viva a memória de Cazuza e  também às crianças e jovens da instituição. Cuida deles como filhos e é lá que ela se sente bem, dando e recebendo amor.

A Instituição  é referência em qualidade no atendimento e é reconhecida pelo Ministério da Saúde e também pela Organização Municipal de Saúde.
lucinha com suas criançasLucinha e Cazuza

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Depoimento Micheli e José Flávio, Paraplegia, Superação


Micheli e José Flávio de Barros
33 e 40 anos
Rio de Janeiro – RJ
Micheli nasceu um pouco antes do previsto e com uma doença congênita: a mielomeningocele. Diferente do que havia sido previsto pelos médicos e para toda a vida, ela não depende de outras pessoas para tudo, mas as limitações físicas a tornaram vítima de  preconceitos, inclusive dentro da própria família.  Isso a entristeceu muito, principalmente na adolescência.
José Flávio que também é cadeirante por causa da Pólio, Paralisia Infantil,  entrou na vida de Micheli através da internet.  Começaram a namorar e tiveram que lidar com a  incompreensão das pessoas mas o espanto  maior veio quando Micheli engravidou.  O casal passou a ser questionado sobre a saúde do bebê e de como iriam cuidar de um filho.
Os dois ainda despertam muitos olhares quando saem juntos, principalmente quando estão com o filho Pedro.
A união já dura quatro anos.  Se casaram no primeiro aniversário de Pedro que é super saudável, tem quase dois anos e é, sem dúvida alguma, o grande orgulho dos dois.

Micheli, José Flávio e Pedro
Micheli, José Flávio e Pedro
Comments are closed.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Depoimento Julie Nakayama, Paraplegia, Superação


Julie Nakayama nasceu no sexto mês da gestação de sua mãe. Ela teve duas paradas cardíacas, o que a levou a ter os movimentos de seus membros inferiores comprometidos, ficando assim paraplégica. Durante a adolescência, a jovem sofreu muito por temer nunca encontrar alguém que a amasse.
Com o tempo, a jovem, que chegou a realizar algun trabalhos como modelo, percebeu que pode conquistar muito mais do que imaginava e recuperou a sua autoestima.
Além das “pazes” que Julie fez com sua imagem, ela conquistou vitórias que mudaram a sua vida para sempre, como competições internacionais de natação e a vaga na seleção brasileira.
 Da natação, passando pela moda, pelo teatro até a dança, Julie hoje enxerga o futuro brilhante que tem pela frente!

Comments are closed.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Depoimento Célia Leão, Paraplegia, Superação


Célia e seus três filhos
Célia cercada por seus três filhos
Célia Leão
54 anos
São Paulo – SP
O pai de Célia resolveu comemorar seu aniversário na casa de praia da família. Quando chegou ao local, ela pediu para visitar alguns amigos em uma cidade vizinha. Junto com sua prima Cris, Célia encarou a viagem, apesar do tempo ruim e das reclamações da mãe.
A estrada estava ruim e a falta de experiência na direção fez com que elas capotassem. A prima não sofreu nada mas Célia, que estava na direção, foi jogada para fora do carro. Logo veio um caminhão que prestou socorro, mas Célia estava muito machucada. Tinha sofrido uma lesão medular aos 19 anos. Em seguida veio a notícia: não corria risco de perder a vida, mas não voltaria a andar nunca mais.
Os amigos sumiram e Célia passou a ter de em seu pai a força que precisava para prosseguir. Viajou para a Itália em busca de novos tratamentos até que recebeu uma ligação de seu irmão pedindo que voltasse para o Brasil, pois seu pai não estava bem. Quando chegou, soube que ele estava morto.
Apesar de ter sido o momento mais difícil de sua vida, também foi quando percebeu que não deveria se achar ‘metade’, pois de nada adiantou ao pai andar, pois agora estava morto. Ela precisava viver e foi o que começou a fazer mesmo com as limitações físicas. Engajou-se na política por melhorias para todos com necessidades especiais, é uma mulher de fibra e mãe de três filhos.
Comments are closed.

domingo, 16 de maio de 2010

Depoimento Alexander Laks, nazismo, Superação

Junto de seus dois filhos e nora
Junto de seus dois filhos e nora
Alexander ao lado de sua esposa
Alexander ao lado de sua esposa
A partir do ano de 1939, quando a Polônia sofreu com a invasão do exército nazista, a vida de Aleksander transformou-se numa luta diária pela sobrevivência. O menino, que estava com apenas 12 anos, teve que se deparar com amigos e parentes amarrados ou enforcados no alto de postes da cidade na qual nasceu, Lodz. O sofrimento estava apenas começando.
Logo após a invasão, os judeus foram confinados em um espaço com capacidade para abrigar 25 mil pessoas. Lá foram colocadas 175 mil que ficavam espremidas e sem comida. No primeiro mês morreram 5 mil pessoas.
Os nazistas ofereceram alimentação para quem quisesse trabalhar nas fábricas e Aleksander foi ser metalúrgico. A comida era 1 quilo de pão que tinha que durar 6 dias e uma sopa que, na verdade, era uma água com cascas de batata além de um líquido escuro que diziam ser café.
Em 1944, a população do gueto foi levada de trem para a Alemanha e pela janela Aleksander poder ver as chaminés que ele acreditou serem fábricas onde pudessem trabalhar como disseram os nazistas. Na verdade estavam em Auschwitz e o que ele pensou serem fábricas, eram crematórios. Foi ali, na saída do trem, que viu sua mãe pela última vez.
Aleksander e seu pai foram levados para um campo que havia abrigado ciganos antes da chegada deles e depois para o Campo Grande Rosa. As atrocidades eram enormes e Aleksander chegou a ter dois dentes arrancados sendo que quando lhe arrancaram o segundo, foi avisado que morreria se gritasse. Ele também teve o nariz quebrado por um guarda da SS e ainda hoje não respira pela narina direita.
Aleksander participou da “Marcha da Morte” que começou com 600 judeus e em poucos dias foi reduzida a 50. Quem caísse ou ficasse para trás era fuzilado. Várias pessoas morreram congeladas e quando tinham sede tinham que “beber” neve. Foi nesta ocasião que seu pai já sem forças pediu que ele sobrevivesse para que pudesse contar o que viveram. Ainda caminharam por mais três dias até chegarem a um trem que os levou para outro campo de concentração. Lá o Sr Laks pegou difteria e morreu.
A derrota alemã era certa mas os nazistas decidiram que nenhum prisioneiro poderia ser pego pelo inimigo e resolveram colocar todos em um trem e atirá-los em um rio para que morressem. Quando as portas se abriram, ouviram que estavam livres. Aleksander estava com 17 anos, pesava 28 quilos, sem família e sem perspectiva para o futuro. Foram salvos pelos franceses.
Pouco tempo depois foi criado um campo para os refugiados e a vida começou a se normalizar. Aleksander foi para os EUA e de lá veio para o Brasil, à procura de uma tia. Aqui chegando se apaixonou pelo Rio de Janeiro, onde se casou, teve filhos e onde vive até hoje com orgulho de ser um brasileiro, judeu e livre.
Aos 82 anos continua atendendo ao pedido de seu pai: levando ao mundo seu relato sobre as crueldades cometidas pelos nazistas para impedir que o fato se repita.

sábado, 15 de maio de 2010

Depoimento João Carlos Martins, Superação



João Carlos durante um concerto em Porto Alegre
João Carlos durante um concerto em Porto Alegre
João Carlos Martins herdou a paixão pela música de seu pai José, que teve seus estudos de piano interrompidos ainda na infância, quando perdeu um dos dedos da mão direita em uma máquina de corte, na gráfica onde trabalhava.
A paixão pela música, no entanto, seria passada para a próxima geração e o acidente ocorrido com sua mão foi o primeiro de uma série que iria marcar a história da família. 
Em 1940 nasceu João Carlos Martins, 4º filho de José,  que logo se tornou amante da  música, assim como seu irmão, José Eduardo. Desde as primeiras aulas de piano João já demonstrava grande talento, e aos 8 anos venceu seu primeiro concurso tocando obras de Bach.

João se tornou o maior intérprete mundial de Bach, mas teve vários incidentes ao longo da vida envolvendo suas mãos, que hoje estão atrofiadas.

Aos 63 anos João iniciou uma nova carreira, como regente e mais uma vez surpreendeu a todos com sua dedicação. Hoje com 69 anos, ele se sente agradecido por ser brasileiro e poder continuar levando a música às todas as camadas sociais, provando que “A música venceu”.

Depoimento Alexandre Rodrigues, leucemia

Alexandre sempre gostou de jogar futebol e passar o tempo com os amigos. Era véspera de natal, quando começou a se sentir muito fraco e indisposto. No começo, achou que era normal, mas a sensação não melhorava. Procurou ajuda médica e após alguns exames descobriu que estava com Leucemia. Ficou com muito medo de morrer, pois tinha perdido um amigo ha pouco tempo por causa da doença. A rotina de Alexandre mudou completamente e ele passou a viver para o tratamento no INCA (Instituto Nacional do Câncer). O bom humor, a esperança e a alegria nunca faltaram ao rapaz, e ele passou a ser procurado pelos coordenadores do hospital para que pudesse ajudar outros pacientes. Alexandre brincava com as crianças, jogava bola nos corredores e conseguia animar até os pacientes mais deprimidos. Os amigos de Alexandre sempre iam visitá-lo e era quase uma festa. Chegaram a fazer uma campanha para doação de sangue quando o hospital precisou. Após um longo período de tratamento, Alexandre se curou. Mesmo tendo voltado a estudar e retomado sua vida, nunca deixou de lado o vínculo com os médicos e enfermeiros que o trataram. São amigos até hoje e viver se tornou muito mais gostoso e proveitoso.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Depoimento de Edson Cordeiro sobre AIDS

Edson sofreu um acidente de moto na juventude. Em decorrência disso, teve parte da sua perna esquerda amputada. Tempos depois, descobriu que tinha contraído o vírus HIV, provavelmente através de sangue que recebeu no hospital. Edson foi discriminado dentro da própria família e sofreu muito. Quando soube que estava infectado, ficou receoso com a possibilidade de ter contaminado outras pessoas e começou a ligar para suas ex-namoradas. Nem sempre sua atitude foi bem compreendida, mas ele sabia que estava fazendo o correto e ficou muito feliz ao saber que não havia transmitido o vírus para ninguém. Seu maior receio era o de não ver sua filha crescer. Hoje, o jovem e saudável vovô curte não só sua filha, mas também seu netinho Miguel, que é sua grande paixão.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Depoimento sobre superação Flávia de Lucchi

Flávia sempre foi atleta. Dos dois aos 12, foi bailarina e nadava por um clube. Aos 16, foi para os EUA e voltou aos 18, pesando 20 kg a mais. Foi morar no interior com seus pais e, para emagrecer, começou a passar no mínimo seis horas na academia entre musculação, bicicleta, corrida, spinning e outras atividades. Comia só salada e grelhados. Logo depois, foi para São Paulo, onde começou a trabalhar como modelo e hostess. Começaram os distúrbios. Ela quase não dormia, quase não comia e começou a beber cerca de um litro de uísque por dia. Flávia voltou para os EUA com o então namorado. Como ele a proibia de fazer exercícios, acabou levando outro estilo de vida e, por conta do sedentarismo, um ossinho nasceu na coluna prejudicando os movimentos da sua perna. Além das dores, os movimentos começaram a ficar comprometidos. Seus pais a buscaram e assim que chegou ao Brasil, foi operada, com apenas 4% de chances de voltar a ter os movimentos normais. Foi um baque para ela que vivia da imagem e adorava exercícios. A recuperação foi tranquila, mas sua vida continuava conturbada. Ela ainda teve que superar os traumas de um sequestro-relâmpago e a perda do pai. Um dia, quando estava passando um carnaval no Rio, um amigo sugeriu que ela fizesse um voo de asa delta. Flávia topou e esse voo acabou sendo sua libertação. A vida passou a ser encarada por ela de outra forma e os exageros foram abandonados. Hoje ela se valoriza acima de qualquer coisa e pretende construir uma família.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Depoimento Chopelly Glaudystton,Transsexualidade


Desde pequena, Chopelly sempre gostou de brincadeiras de menina. Seus pais não compreendiam suas atitudes e iam atrás de psicólogos em busca de respostas. Seu corpo era de menino, mas sua mente não. Quando entrou na adolescência, teve muita dificuldade em lidar com seus sentimentos, pois começou a ter desejos sexuais femininos. Entrou em depressão profunda e, com 20 anos, foi para o Rio de Janeiro, acreditando que em uma cidade grande encontraria seu caminho, junto a pessoas semelhantes. O caminho encontrado foi a prostituição. No centro da boemia carioca, a Lapa, logo conheceu uma prostituta que disse que aquele não era o seu lugar, pois seus pensamentos eram de mulher, sua alma era romântica e que, de um modo geral, os homens não procuravam esses adjetivos em um travesti. Chopelly voltou arrasada para Recife, onde morava sua família, mas ao mesmo tempo começou a entender melhor sua transexualidade. A decisão de se assumir como mulher, no início, não foi bem aceita por sua família, mas logo todos perceberam que a mudança significava além da adequação, a felicidade para Chopelly. Hoje, ela trabalha como técnica de enfermagem, é conselheira estadual de saúde e faz parte de uma ONG de transexuais e travestis. Ela foi em busca da sua felicidade e acabou encontrando também a paz que tanto buscava.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Depoimento sobre albinismo, Roberto Bíscaro


Roberto é portador de albinismo, uma anomalia genética causadora da ausência de pigmentação total ou parcial da pele, olhos e cabelos. É comum que as pessoas albinas tenham a visão diminuída e fotofobia. A pele albina também precisa de proteção forte e constante contra a radiação solar. Já na infância, Roberto era discriminado por causa da sua aparência. Na escola, os alunos o provocavam com apelidos e brincadeiras ofensivas que acabavam sendo respondidos com fortes palavrões. Ele assume que tinha um vocabulário vasto de palavrões para responder às ofensas. Na adolescência, o rapaz albino e pobre, que chamava atenção de todos por sua aparência, resolveu se expor por conta própria através do teatro. O palco e a super exposição voluntária o ajudaram muito, principalmente no processo de socialização que até então não tinha sido fácil. Hoje, ele é professor de inglês, tem mestrado e doutorado pela USP (Universidade de São Paulo) em Dramaturgia Norte-americana. Ano passado, criou um blog para entrar em contato com pessoas albinas e trocar informações. Luta, também, para que seja aprovado um projeto de lei que distribua gratuitamente filtro solar aos albinos.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Depoimento Elisa Gama, Paralisia cerebral

Elisa estava radiante com a chegada da sua primeira filha, Tainá. A gravidez foi tranquila, mas, na hora do nascimento, Tainá sofreu asfixia e, em decorrência da falta de oxigenação, foi diagnosticada uma paralisia cerebral. Elisa viu seu mundo desabar. Era sua primeira filha e muito esperada. Foi aí que ela começou a lutar para que Tainá pudesse ter a vida mais normal possível. Elisa, que é professora, resolveu se dedicar à educação de crianças especiais e carentes. Dá aulas em duas comunidades. Tainá está com 12 anos e adora música. Estuda em escola regular e tem um álbum, cheio de desenhos, que é usado para ajudar na comunicação com outras pessoas.

domingo, 9 de maio de 2010

Depoimento Alexander Santos, Paraplegia

Aos 23 anos, Alexander foi assaltado e levou dois tiros. Na época, ele era professor de judô e teve que abrir mão da sua paixão pelo esporte para se recuperar. Quando descobriu que não poderia mais andar ficou muito deprimido. Tinha que encarar um novo desafio: se adaptar a sua nova condição de paraplégico. Buscou, então, no esporte, a ferramenta principal para sua reabilitação. Começou a nadar, voltou a dar aulas de judô para crianças e praticar o levantamento de peso. Ganhou grandes competições, mundiais e nacionais, inclusive de não deficientes físicos. Apesar de todas as limitações que encontrou com a paraplegia, Alexander em poucos momentos se deixou abater pelas dificuldades que, na verdade, serviram para alavancar sua sede de vencer e de lutar pelos seus sonhos. Retomou a sua vida, voltou a namorar e hoje viaja pelo mundo competindo pelo Brasil e colecionando medalhas com o

sábado, 8 de maio de 2010

Depoimento Kyrti Aguiar, Discriminação


Kyrti conheceu seu ex-marido através de uma amiga em Olinda. Ele era canadense e acabaram se tornando amigos. Quando ele voltou ao Brasil, se hospedou na casa de Kyrti, que morava com seus pais. A amizade virou namoro, o amor cresceu e decidiram se casar. A família da noiva não só apoiou como também juntou todas as economias para ajudar nas passagens para o Canadá, onde decidiram começar a vida de casados. Lá chegando, foram morar com os “pais” canadenses e a história de amor foi se transformando em pesadelo. Lá, a morena tipicamente brasileira passou a ser hostilizada, discriminada, humilhada pela nova família, que envenenava também a única pessoa que poderia ajudá-la: seu marido. Ela acabou sendo expulsa de casa, quase sem dinheiro e num país estranho. Kyrti encontrou em um abrigo para mulheres a ajuda que precisava. Conseguiu trabalho e, com ele, foi juntando dinheiro para voltar ao Brasil. No abrigo, ela fez também um curso de fotografia e esta passou a ser sua paixão e sua forma de se expressar para o mundo. Um ano depois, o ex-marido voltou a procurá-la e Kyrti, por amor, aceitou retomar a relação que novamente não deu certo. A realidade de Kyrti é a de muitos brasileiros que vão a outros países e sofrem discriminação pela sua cor, origem e credo. Mesmo com todo preconceito, ela nunca se sentiu inferior, pelo contrário, procura ver a vida sempre de uma forma positiva e sabe o valor que tem.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Depoimento Hugo Alonso, Drogas

Hugo não começou a usar drogas muito cedo. Trabalhava em lojas importantes de carros de luxo, era casado e tinha um filho quando a droga falou mais alto. Começou a mentir muito em casa e chegou a passar um fax para si com um motivo para sair de casa. Na verdade saía para se drogar. A esposa não suportou e pediu o divórcio. Um dia, estava em um morro, se drogando, quando uma senhora lhe entregou um folheto, com uma passagem da bíblia, e ele reconheceu seu filho, em uma das fotos. Hugo decidiu naquele momento largar as drogas e, quando voltou para casa, reuniu a família, admitiu que era dependente químico e que precisava de ajuda. Internou-se numa clínica onde ficou alguns meses. Na volta, pediu sua ex-mulher em casamento novamente e refez sua família. Ele está limpo há dez anos e ajuda outras pessoas a largarem o vício das drogas através da ajuda mútua.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Depoimento Cristiane Moraes, Hidrocefalia, Mielomeningocele

Quando ficou grávida, Cristiane ficou muito feliz e torceu para que fosse um menino, pois seu marido já era pai de meninas, filhas de outro relacionamento. Arthur foi um bebê muito querido, mas quando ainda estava na barriga veio o diagnóstico de hidrocefalia e mielomeningocele. Cristiane passou a buscar informação e orientação para lidar com seu filho que, logo após o nascimento, teve uma crise de apneia e entrou em coma. Os médicos não deram muitas esperanças, mas quatro meses depois Arthur teve alta e de lá pra cá vem sempre surpreendendo a todos com sua melhora. A jovem mãe é incansável e Arthur, que está com um ano e meio, retribui toda a dedicação destinada a ele com seu sorriso e bom humor constantes.


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Depoimento Mônica Ferreira, Drogas, exploração sexual,

Mônica tinha uma família muito pobre e além da fome que passava com seus cinco irmãos, sofria com a violência física e psicológica dentro de casa. Aos 11 anos, foi para as ruas de Recife vender pipocas e a casa logo passou a servir somente como dormitório. A rua no início serviu como fuga para a violência que sofria dentro de casa e também como fonte de renda com o pouco que conseguia com a venda das pipocas. Rapidamente, ela aprendeu a roubar, conheceu as drogas, os traficantes e a exploração sexual. Foi nas ruas também que ela conheceu uma amiga que lhe falou de um lugar, uma instituição, onde ela poderia encontrar ajuda, respeito, carinho e uma forma de sair das ruas. Mônica buscou a instituição onde foi acolhida e resolveu mudar o rumo da sua história com o objetivo de um dia formar uma família e cuidar dos filhos como gostaria de ter sido cuidada. Ela hoje é casada, tem três filhos e é educadora.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Depoimento Renato Mota, Infidelidade


Renato estava casado há quase 10 anos e achava que seria para sempre. Ele e sua ex-esposa eram muito amigos de um casal, e os quatro estavam sempre juntos, inclusive em viagens.
Renato começou a perceber uma mudança em sua ex-esposa. Na verdade, além do comportamento estranho, havia uma afinidade muito grande entre ela e seu amigo. Foi em um passeio até a praia que ele percebeu que realmente havia algo entre os dois. Renato chamou sua ex-esposa para um mergulho, mas ela recusou, aceitando, minutos depois, o mesmo convite feito pelo amigo. Renato pode observar de longe os dois se divertindo dentro d’água e a partir dali, seu sofrimento só aumentou. Certa vez, enquanto sua ex-esposa estava em uma consulta médica, ele resolveu mexer em seu celular e descobriu que os dois trocavam mensagens amorosas. Aquilo foi a morte para ele. Tiveram uma discussão muito grande e a separação foi inevitável. Ele chegou a ter um princípio de infarto, teve que passar por tratamentos psicológicos, emagreceu 20 kg, entrou em depressão, se revoltou com a vida e com Deus. Renato conseguiu dar a volta por cima, voltou a acreditar no amor e encontrou uma pessoa que deu um novo sentido à sua vida. Ele hoje está casado com Joseane e acabam de ganhar sua primeira filha: Sara.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Depoimento Rosimar de Souza, Alcoolismo

Rosimar tinha uma vida tranquila. Era casada, mãe e trabalhava em uma escola como professora. Começou a beber socialmente quando saía do trabalho e o que parecia inofensivo, tornou-se um vício. Como ela só bebia cerveja, achava que jamais teria problemas. Constantemente mentia para o marido dizendo que tinha reuniões após o expediente e ia beber na rua, muitas vezes sozinha. Rosimar virou escrava do álcool e as consequências foram desastrosas. Não conseguia mais trabalhar, mal conseguia cuidar das filhas e muito menos se relacionar com o marido, que a deixou. Ficou sozinha, pois até os que se diziam seus amigos verdadeiros se afastaram. Sua vida perdeu o sentido e a bebida a dominava cada vez mais. Rosimar sentia muita falta da sua família e, com muita determinação, conseguiu assumir que era uma pessoa doente e que precisava se tratar. Buscou ajuda em um grupo de apoio e conseguiu largar a bebida. Agora precisava reconquistar o que tinha perdido e provou a sua família que tinha mudado. Seu marido voltou, ela retomou o trabalho e hoje coordena um projeto, ajudando a outras pessoas que querem se livrar do vício.

domingo, 2 de maio de 2010

Depoimento Tânia Rodrigues, Poliomielite

Tânia teve poliomielite total aos três anos e só conseguia mexer um dos braços. Na época, não existia muita informação sobre a doença e ela foi crescendo desacreditada em sua capacidade e discriminada por sua deficiência física. Só em casa, com os pais, ela era valorizada, e recebia deles todo o incentivo que precisava para lidar com as dificuldades do dia-a-dia. Tânia sempre foi boa aluna e decidiu estudar Medicina com especialização em Neurologia. Ela hoje é medica perita do INSS. Há 32 anos conheceu seu marido, com quem teve um casal de filhos: Camila e Gustavo. Tânia teve ainda que lidar com uma trombose que a levou para a cadeira de rodas, mas nunca se abateu. Ela é uma batalhadora que sabe o valor que tem e que não mede esforços para tornar a sua vida e a de outros deficientes melhor e com mais acessibilidade.

sábado, 1 de maio de 2010

Depoimento José Luiz Pacheco, Lesão medular

Aos 23 anos, José Luiz caiu do telhado quando tentou pegar uma bolinha de tênis que tinha ido parar lá. Na queda, lesionou a coluna em 3 pontos e perdeu todos os movimentos do corpo. Teve embolia pulmonar e ficou no CTI entre a vida e a morte. Quando saiu do hospital foi direto para a ABBR, onde “morou” por um ano. Aos poucos ele foi recuperando os movimentos. Quando saiu do centro de reabilitação, decidiu se isolar por um tempo e foi morar sozinho em um sítio em Nova Friburgo. Lá ficou por 14 anos. Quando voltou, estava completamente preparado para encarar o mundo não adaptado. No início da vida urbana, encontrou uma associação voltada para pessoas com deficiência. Lá, ele fez um curso sobre lesão medular e pôde conhecer outros deficientes além de adquirir informações importantes para a vida independente que pretendia continuar tendo. Voltou a trabalhar e um dia recebeu um convite para participar de um projeto no qual teria que viajar pela América do Sul de carro, com outros dois deficientes. Teriam que rodar 30 mil km e ele topou, desde que fosse dirigindo. Deu tudo tão certo que não furou um pneu sequer durante toda a viagem. Depois disso, ele resolveu participar de um rally com seu próprio carro, que não era ideal para a competição. Teve muitas dificuldades, principalmente por não ter uma equipe técnica, mas conseguiu cumprir todas as etapas. Ele se deu conta de que, com seu carro adaptado, a condição de “estar sentado” e dirigir era comum a todos os participantes, com ou sem deficiência. Participou de outras competições automobilísticas, inclusive com os melhores pilotos do Brasil. Ele hoje é piloto profissional de Kart, mora com sua filha e diz que nunca imaginou, 23 anos atrás, que chegaria onde chegou.