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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

O prazer de compartilhar um grande vinho com um grande amigo

Ouço muitas bobagens quando estou acompanhado por entendedores de vinho. Talvez entendam de vinho, mas não entendam de vida. Um desses absurdos é de que nada adianta abrir boas garrafas de vinho para pessoas que não entendem nada de vinho. Acho isso ridículo, porque um dos grandes prazeres que há é compartilhar um bom vinho com amigos queridos, com parentes. Mas, bem, nem todo os nossos bons amigos e parentes gostam e entendem de vinhos. Fazer o que?
Eu, como sou do contra, tenho imenso prazer em abrir grandes garrafas para pessoas que nada entendem de vinho, e nem é porque aprendo muito quando faço isso (porque aprendo mesmo), mas pela simples satisfação de dividir algo especial com alguém especial.
Tenho um grande amigo, o Raulzito. Ele curte uma cervejinha, aprecia de uma boa pinga e, por gosto pessoal, até prefere um vinho mais doce, tipo suave. Aos poucos, vamos bebendo boas garrafas. Lembro do aniversário de um ano da minha filha, quando servimos espumantes no fim. Ele ficou vidrado, e por um bom tempo, sempre que chegava à casa dele, tinha um espumante gelando no geladeira. A moda passou, ainda que vez ou outra a gente brinde com borbulhas.
Já abrimos champanhes juntos (há outro jeito melhor de começar uma comemoração?), e outros belos vinhos. Ele entende que aquilo é especial, e fica fácil perceber o prazer que ele sente ao apreciar esses líquidos. Vou continuar abrindo grandes vinhos para ele.
Na semana passada, no dia do meu aniversário, não foi diferente. Começamos com um bom Taittinger, que depois foi seguido por um dos melhores vinhos que tomei recentemente, o El Primer Racimo Primordium 2008, vinhaço de Ribera del Duero, que custa R$ 290 na Grand Cru. A Wine Advocate, de Robert Parker, deu nada menos que 95 pontos para esse vinho, vinhaço-aço-aço.
O vinho é feito com a Tinto Fino (como chamam a Tempranillo por aquelas bandas). Concentrado e espesso, tem uma paleta aromática deliciosa, com notas de eucalipto e mentol, com muita fruta madura, incluindo uma deliciosa amora, e uma cerejinha brilhante, com toques de ameixas, especiarias e uma mineralidade extremamente agradável. Tem 18 meses de madeira, mas não se nota: a barrica está bem presente, mas parece que por bem menos tempo. Tem uma elegância rara, apesar de toda a sua musculatura. Na boca, tem volume e fantástica acidez, deixando um rastro de sabores, num final longo e agradável.
O meu camarada ficou impressionado.
"Caramba, mas que delícia".
"É verdade, tem aromas de eucalipto e frutas maduras".
"Sim, sim, não percebo aquele tal de tanino".
"Tem um frescor que nunca tinha sentido".
E assim, famos degustando, conversando, ensinando e aprendendo.
Fomos bebendo, conversando, percebendo a evolução do vinho conforme o tempo passava. Colocamos ele no decanter, provamos, e partimos para o champanhe, só voltando a ele mais de uma hora depois.
"Mas que diferença", ele notou. "Tá muito melhor, mais aromático".
Pois é.
Quando a mulher dele chegou, que gosta muito de brancos, fomos abrindo mais boas garrafas - porque também adoro subverter a lógica: quem disse que branco tem sempre que vir antes dos tintos? Queríamos provar o El Primer Racimo Primordium  como ele merecia, sozinho, prestando atenção.
Além de tudo, o Raulzito é um ótimo produtor de fotos. Foi ele quem sugeriu que a gente agitasse o decanter para fazer a foto. Acho que deu um resultado legal, diferente.
Então, quando a Karina apareceu, famos nos brancos. Primeiro, o Steenberg sauvignon Blanc Reserve, vendido a R$ 199 na Wine Brands. Outro vinhaço, leve e fresco, com sedutoras notas de frutas, com abacaxi, limão e maracujá, com ótima mineralidade. Limpou a boca todinha, e acendemos o fogo para o churrasco.
Depois, abrimos o Te Mara Pinot Gris 2009 (por R$ 79 no supermercado Zona Sul), outra belíssimo vinho, que agradou ao casal, com aromas de frutas, bem mineral e com ótima acidez.
Então, quando começamos a fazer as carnes, já alegres e felizes com a degustação, fomos no Almaúnica Merlot 2009, uma das estrelas dessa que é uma das mais gratas novidades na safra recente de vinícolas brasileiras, instalada no Vale dos Vinhedos. Esse vinho eu ganhei, e não sei quanto custa. Sei que adoramos, e que ficou ótimo com a fraldinha. Lembro que gostei, que o vinho tinha deliciosos aromas de frutas, com notas mais densas, como café. Uma beleza mesmo.
"Verdade, tem cheiro de café", eles concordaram.
No fim, ia abrir um Porto 1984, mas já estávamos bem alegres. Não fazia sentido. Então, a garrafa está lá, guardadinha para ser apreciada com o casal na próxima visita.
Então, meu caro, faça o teste. Abra um vinhaço para um grande amigo, que não entenda nada de vinhos. Será melhor que beber sozinho, e incomparavelmente mais agradável que beber com aquele enochato que sabe tudo de vinho, e por isso não compartilha garrafas com pessoas que nada entendem do assunto.
E, afinal, o que é "entender de vinho", senão saber como, quando e com quem apreciá-lo?

http://oglobo.globo.com/blogs/enoteca/posts/2012/01/19/o-prazer-de-compartilhar-um-grande-vinho-com-um-grande-amigo-427305.asp