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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Calor


Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil.
Foi então que um grande número de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro.
E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso.
Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte.
E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos.
Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito...
Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados.
Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos aos outros.
Assim suportaram-se, resistindo à longa era glacial.
Sobreviveram...

Autor desconhecido

Amigos, o livro mais sábio que existe é o livro da vida. E uma das lições mais profundas e sérias que há neste livro é aquela que nos desperta para a essencialidade da vida coletiva.
O sucesso ou insucesso de cada um de nós é responsabilidade de todos.
A vaidade de acharmos que não necessitamos dos outros é sinal grave de enfermidade moral. Por mais competente que alguém seja, ele só persiste porque há outros que lhe dão espaço e atenção para mostrar seu valor.
Não esqueçamos que sem alunos não existe professor, que sem doentes não existe médico, sem os representados não existe advogado, sem o povo não existiriam juízes, promotores, políticos, governantes, etc...
Precisamos uns dos outros. Aliás, a sociedade humana somente avançou e acelerou seu progresso quando começamos a viver em comunidade, suprindo uns as deficiências e fragilidades dos outros. Deixemos de lado o orgulho, a vaidade, o narcisismo e o personalismo.
Mesmo que determinado alguém tenha dinheiro sobrando, saúde prá dar e vender, beleza de “fechar o trânsito”, poder para passar por cima de qualquer um e sucesso que o faça “superstar”, nada será esse alguém se não houver, do outro lado da linha da comunicação, o próximo que justifique a existência de quaiquer valores morais ou materiais.
Se algo somos, é porque os outros existem e nos auxiliam a seguir adiante. E somente alcançaremos paz, felicidade e bem-estar quando passarmos a viver esse básico fundamento da vida.
Aprender a lidar com os espinhos e buscar neles a importância e a força par vencermos todos os obstáculos.
Pensemos muito bem nisso ...

Joamar Zanolini Nazareth