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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A balsa

Na história da Humanidade encontramos acontecimentos que nos levam a profundas reflexões.

Em 1816, uma fragata francesa encalhou próximo à costa do Marrocos. Não havia número suficiente de botes salva-vidas. Os restos do navio foram a única balsa que manteve vivas 149 pessoas.

A tempestade os arrastou ao mar aberto por mais de 27 dias sem rumo.

A dramática experiência dos sobreviventes impressionou a um artista. Theodoro Gericault realizou um estudo substancial dos detalhes para produzir a pintura.

Ele entrevistou os sobreviventes, os enfermos e, inclusive, viu os mortos. Horrorizado, reproduziu a íntima realidade humana nesta situação.

Seu quadro, intitulado "A balsa de Medusa", retrata não somente o naufrágio do navio "A Medusa", ocorrido no dia 2 de julho de 1816. Retrata um acontecimento que comoveu a França e trouxe repercussões que tocaram o mais profundo da alma humana.

Na pintura, pode-se ver as diferentes atitudes humanas que se manifestam nos momentos cruciais da vida.

Alguns dos sobreviventes se apresentam deitados, em total abandono, sem reação alguma. Parecem simplesmente aguardar a morte inevitável.

Outros se mostram desesperançados, alheios aos demais. O olhar distante, perdido no vazio demonstra que perderam a vontade de viver e de lutar.

Um punhado deles, no entanto, mantém a esperança acima de tudo. Tiram do corpo as próprias camisas e as agitam com violência, fixando um ponto no horizonte, como se desejassem ser vistos por alguma embarcação, por alguém.

O curioso, entretanto, é que embora eles balancem com constância as vestes brancas ao vento, não há nenhum navio à vista. Nada que indique que eles serão resgatados.

A balsa é como o planeta Terra. Os tripulantes são a Humanidade e as atitudes que cada um toma diante da vida.

Podemos ser como os desesperançados, quando atravessamos situações difíceis e nos decidimos a simplesmente nos entregar sem luta alguma.

Podemos estar enquadrados entre aqueles que acreditam que não há solução e, assim, também não há porque se esforçar para melhorar o estado de coisas.

Podemos também ser dos que duvidamos de tudo e todos. Ou, finalmente, podemos ser aqueles que mantemos a esperança acima de tudo. Os que nos esforçamos para chegar à vitória, embora ela pareça estar muito, muito distante.

Afinal, decidir pela vitória em toda circunstância que a vida nos coloca é atitude de esperança