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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O lavrador e a enxada.


Certa manhã, quando ainda trabalhava na Fazenda de Criação do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo, Chico caminhava para o trabalho, atravessando largo trecho do campo no rumo do escritório, meditando sobre os trabalhos mediúnicos a que se confiava.
As exigências eram sempre muitas.

Como agir para equilibrar-se na tarefa?

Surgiam doentes, pedindo socorro...

Aflitos rogavam consolação...

Curiosos reclamavam esclarecimentos...

Ateus insistiam pela obtenção de fé...

Os problemas eram tantos!

Quando curvava a cabeça, desanimado, aparece-lhe Emmanuel e aponta-lhe um quadro a pequena distância.

Era um lavrador ativo, manejando uma enxada ao sol nascente.

— Reparou? – disse ele ao Médium – guiada pelo cultivador, a enxada apenas procura servir.

-Não pergunta se o terreno é seco ou pantanoso, se vai tocar o lodo ou ferir-se entre pedras...

-Não indaga se vai cooperar em sementeira de flores, batatas, milho ou feijão... Obedece ao lavrador e ajuda sempre...

Logo após, fez uma pausa e considerou:

— Nós somos a enxada nas mãos de Jesus, o Divino Semeador.

Aprendamos a servir sem indagar.

Chico, tocado pelo ensinamento, experimentou iluminada renovação interior, e disse:

— É verdade! O desânimo é um veneno...

— Sim, – concluiu o orientador – a enxada que foge à glória do trabalho, cai na tragédia da ferrugem. Essa é a Lei.
O benfeitor despediu-se e o Médium abraçou o trabalho, naquele dia, de coração feliz e a alma nova.

- Ramiro Gama –