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segunda-feira, 24 de março de 2014

A real decisão de mudar

Em uma grande cidade do Brasil, um garoto de oito anos crescia sob os cuidados do irmão, apenas dois anos mais velho que ele, pois os pais precisavam trabalhar o dia todo. Apresentava dificuldades na escola.

Sua professora, ao invés de incentivá-lo a melhorar, expunha suas dificuldades à classe de maneira jocosa, e disse à sua mãe que ele não tinha mais jeito.

O garoto, sentindo-se cada vez mais incapaz, repetiu pela segunda vez o mesmo ano escolar. Revoltado, assaltou a cantina da escola com um revólver de brinquedo que ganhara, sendo, a seguir, expulso da escola.

Sem obrigações, passou a ficar na rua o dia todo e fez-se acompanhar de outros garotos desocupados. Começaram a assaltar pessoas, roubar carros e usar drogas.

Alguns anos depois, alguns de seus colegas de crime perderam suas vidas em função de dívidas com traficantes. Ele teve a certeza de que seria o próximo.

Com medo, procurou uma educadora que criara uma Fundação no bairro onde morava, e que ensinava atividades como idiomas e música a jovens carentes.

Ela o aconselhou a sair das ruas, pelo menos por algum tempo. Para ajudá-lo a passar o tempo, emprestou-lhe um livro. Era o primeiro livro que ele lia em sua vida, e foi o suficiente para arrebatá-lo.

Vieram, então, outros livros e a decisão de procurar um emprego. Na Fundação que o ajudara, conheceu outros jovens que estudavam para o vestibular.

Conseguiu apostilas e passou a estudar no intervalo do emprego. Fez supletivo aos 21 anos e prestou vestibular para um curso de línguas em uma Universidade pública de renome. Foi recompensado.

Ainda cursando a Universidade conseguiu voltar à escola de onde fora expulso: agora como professor de português.

Depois de formado, seguiu os estudos ingressando na pós-graduação em Educação Social. Hoje, trabalha em uma entidade não governamental na região onde mora.

Escreveu um livro sobre o assunto e deseja mostrar, com seu exemplo, que é possível mudar, que nada é irremediável.