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domingo, 6 de abril de 2014

Flores de amor

Ela estava sozinha e, naquele dia de primavera, decidira almoçar ao ar livre, sentada em um banco, à sombra de uma majestosa árvore. Era o seu horário de descanso do escritório e desejou imaginar que estivesse em um piquenique.

Em meio à profusão de verde e diversidade colorida das flores, improvisou algo semelhante a uma mesa de piquenique.

Naqueles momentos, começou a refletir sobre a sua solidão. Após o divórcio, ela terminara de criar seus filhos sozinha e estivera ocupada demais tentando sobreviver.

Pensava naquele momento que talvez fosse por isso que não encontrara outro companheiro. Alguém com quem pudesse compartilhar a sua vida e o seu amor.

Ela se mantivera ocupada com as atividades da filha adolescente, acompanhando-a a um e outro lugar, ou visitando os filhos mais velhos e o novo neto, além de cuidar da profissão e trabalhar no grupo religioso de sua comunidade.

Lembrou que no escritório havia muitas colegas casadas e que recebiam, às vezes, flores dos seus maridos. Os buquês maravilhosos chegavam, geralmente acompanhados de um cartão, dizendo que as flores estavam sendo enviadas só porque eu amo você.

Ela admirava as flores, mas admirava mais os sentimentos que havia por trás daqueles gestos.

Ela fora infeliz no casamento e nunca recebera tais mimos. Aliás, nada que indicasse que ela era uma mulher amada. E porque adoraria receber flores, não podia deixar de invejar aquelas mulheres.

Elas eram felizes. Tinham maridos que as amavam e que, mesmo após anos de convívio conjugal, se lembravam de remeter flores, serem criativos, surpreender.

As flores ficavam dias sobre as mesas, em jarros d´agua, perfumando o ambiente, atestando a existência de um sentimento cálido e maduro.

E ela se sentia tão só. Sua mesa sempre estava despida de cores e perfume. Vazia.

Enquanto assim se perdia em pensamentos, sentiu alguma coisa cair em sua cabeça. Era uma flor despencando em direção à grama.

Olhou para cima e viu que a árvore enorme, sob a qual estava sentada, trazia a copa repleta de graciosas flores vermelhas, penduradas quase ao alcance de sua mão.

Ela não as havia notado porque não olhara para cima. Deu-se conta, então, que estava sendo agraciada com flores, lindas flores de Alguém que a amava. Sempre a amara e não desejava que ela ficasse sem flores.

Ela olhou para o chão, colheu as flores dispersas, lindas, vibrantes e compôs um ramalhete.

Levou-as para sua mesa de trabalho e as colocou em uma jarra de vidro.

Durante todo aquele dia, foi maravilhoso olhar para as flores enquanto trabalhava. Elas a fizeram lembrar que Deus quis lhe dar flores só porque Ele a amava.