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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sonho de adulto é ter um ventilador silencioso


360meridianos – Rafael Sette Câmara
10 de jan de 2017 17:54

Viajar pelo mundo é coisa de criança. Sonho de adulto é ter um ventilador bom e silencioso – e isso se um ar-condicionado for um sonho impossível. Além de formas de vencer o inferno, digo, o verão, o adulto sonha com eletrodomésticos, móveis legais, uma casa onde o vizinho não seja um mala, um jardim cheio de plantas e um quarto escuro de manhã cedo e friozinho à noite. Adulto sonha com promoção de sabão em pó e papel higiênico, com aumento de salário e restituição de imposto de renda.

E com uma conta de luz baixa e, como diz aquele meme que circula por aí, com os boletos pagos. Só que os boletos sofrem do mesmo problema que assola toda e qualquer pia de louça suja, não importa onde você more: basta pagar todos que um novo entra sorrateiramente na caixa de correio.

É engraçado notar como gira a roda do mundo. Há dois anos e meio eu morava num hostel em Buenos Aires e minha única posse era um mochilão lotado de roupas – muitas vezes sujas. Anos antes, quando eu morava em São Paulo, numa república de amigos, até ensaiamos deixar a casa mais legal e com menos cara de pardieiro, mas ficou só na promessa. "Por que diabos vou gastar dinheiro comprando um sofá novo se com essa grana posso viajar?", pensei. E assim a casa permaneceu com aquele típico jeito de república, lotada de coisas doadas, mas vazia de qualquer cara de casa.

2017 chegou e cá estou eu, procurando estantes para colocar na varanda, pregando quadros na parede de casa e pensando em montar o móvel do micro-ondas, que finalmente foi entregue. Viagens planejadas? Algumas. Mas planejo mesmo é ficar mais tempo em casa, perto das pessoas que amo e curtindo a cidade que adoro acima de todas as outras, do que na estrada. E não tenho dúvidas que o dinheiro que gasto com o dia a dia poderia ser usado para mais viagens – a questão é que não quero fazer isso. Pelo menos não nesse momento.

vida de adulto

Vai ver ser adulto é descobrir que você tem raízes sim, por mais que ainda esteja disposto a cortar algumas delas para dar um giro mais longo por aí. Como disse o Nissim Ourfali, "Quando a gente viaja é irado, é 10, mas o melhor é quando vamos pra Baleia". Nós achamos que era só um vídeo engraçadinho, mas na realidade era alguém nos dizendo que viajar é legal, mas viajar com quem se ama, mesmo que para uma praia mais ou menos, é melhor ainda.

Mas, o Nissim que me perdoe, voltemos ao assunto. A minha vida social também mudou. Saíram os botecos sujos, entraram bares mais descolados e restaurantes. Pode ser a volta de saturno, pode ser meu ascendente (touro) falando mais alto ou pode ser o estômago que reclamou, mas se tem uma coisa que aprendi nos últimos tempos é que gosto de comida. E pagar para comer bem pode ser mais interessante que pagar para entrar na balada – não que alguma vez na vida eu tenha sido fã de baladas.

A cerveja permaneceu (e acho até que se tornou mais presente), embora também tenham ocorrido mudanças nesse setor. Hoje prefiro beber menos, mas beber bem, do que me empaturrar das cervejas de antigamente. A ressaca do dia seguinte pode ser uma das explicações. O valor da conta do bar não mudou.

E já que o assunto é viajar, bem, nesse campo as mudanças foram profundas. Eu sempre tenho dificuldade quando alguém pede indicação de algum restaurante legal na Índia, Tailândia ou outro país que visitei durante a volta ao mundo, entre 2011 e 2012. Naquela época, duas coisas sofriam na distribuição do orçamento: a hospedagem e a comida. Por isso, raros foram os hotéis ou restaurantes onde estivemos que eram dignos de indicação. A não ser, claro, a indicação de lugar mais barato que você pode ficar na cidade x, mesmo que a varanda esteja repleta de lixo, as paredes tenham marcas de sangue e um chiqueiro seja a vista da janela.

Naquela época nos especializamos em comer e dormir nos lugares mais baratos possíveis. Chegamos a pagar R$ 1,50 na diária de um hotel, em Manali, na Índia, que estava com a água congelada nos canos por conta do inverno. Na Tailândia, depois de dias vivendo de comida de rua e do cachorro-quente do Seven Eleven, surtei e avisei que iria comer bem, mesmo que aquilo custasse mais. Entrei num McDonald's.

vida de adulto

Por falar nela, a rede de fast food era a opção mais econômica para comer em Hong Kong, que serve o Big Mac mais barato do mundo. Resultado: almoço, jantar e até café da manhã lá. Foram 10 meses nesse ritmo, escolhas que permitiram uma volta ao mundo de quase um ano com um custo relativamente baixo e que geraram a Dieta do Mochilão™: voltei para casa pelo menos 10 quilos mais magro.

Se meu eu do passado comia qualquer coisa e dormiria ao relento se precisasse, tudo para continuar viajando, hoje prefiro nem viajar se não tiver dinheiro para comer num lugar legal, dormir confortavelmente (e sem paredes de sangue) e fazer o que quiser. Ou melhor: prefiro encurtar a viagem, contrariando uma tendência que durou por anos. Antes, se eu tinha dinheiro para viajar confortavelmente por 15 dias, cortava as expressões "comida boa" e "cama confortável"  do orçamento, apertava um pouco ali, mais um pouquinho aqui, e, olha a mágica, a viagem de duas semanas se tornava uma aventura de três meses. Com o mesmo dinheiro. Continuo não fazendo a menor questão de luxos, veja bem, apenas aprendi que existe uma coisa chamada conforto acessível.

Eu já deveria estar acostumado com mudanças, afinal sem elas não há crescimento pessoal. E ainda me identifico com muitos traços da personalidade do meu eu de quatro ou cinco anos atrás. É regredindo uma década que a coisa fica complicada. Eis a prova definitiva de que existem vidas passadas: a pessoa que eu era em 2007. Isso só pode ter sido em outra encarnação.

vida de adulto

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