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sexta-feira, 31 de março de 2017

Amando animais e seus limites


Mente e Cérebro
29 de mar de 2017 18:48

SHUTTERSTOCK

Animais de estimação são como filhos, mas filhos que não crescem nem nos abandonam. Retribuem nosso amor com sua presença e solicitude, sem conflitos ou oscilações na qualidade afetiva, oferecendo suporte simbólico para experiências de reconhecimento, metafóricas e metonímicas, centrais na formação e na reconstrução de nossa capacidade de amar. Eles podem ser parte de nossa recuperação psíquica, como vemos na abordagem proposta por Nise da Silveira, mas também se prestam a suportar, silenciosos, nossas formas mais patológicas de amar, como os acumuladores de cães ou gatos, os que submetem animais a uma vida "demasiadamente humana" e, no limite, os estupradores crônicos de animais. Está em jogo aqui a sutil diferença entre ser como um filho, amigo ou amante e ser o próprio bebê, companheiro e objeto de satisfação erótica. Nossa gramática amorosa, definida pela inversão entre amor e ódio, entre amar e sem amado ou entre amar e ser indiferente depende essencialmente deste "como se". Por isso, amar não é dissociável da poesia e suas práticas equivalentes. Por isso, em nosso amor pelos animais nós os fazemos falar conosco, sentindo suas atitudes como fidelidade canina ou independência felina.

Portanto, animais domésticos são "como nós", eles vivem em nossa casa, como parte de nossa família e extensão metonímica de nosso modo de vida. No entanto, eles não são "nós", mas uma metáfora dos humanos, pois a eles não aplicamos nossas leis, nem esperamos sua participação na vida política. Justamente por isso eles colocam-se em posição decisiva para que exercitemos este limite tão difícil entre o amor narcísico, no qual nós amamos através do outro, amamos o outro como uma extensão projetiva de nós mesmos e esta outra forma de amor, na qual sua alteridade, sua estranheza e sua diferença são os fatores decisivos. Reduzindo o problema: animais nos convidam a investigar este limite entre o amor metonímico (o outro como parte de mim) e o amor metafórico (o outro como outro). 

Quando amar se opõe a ser amado, segundo o tema clássico da correspondência, os animais tornam-se uma espécie de totem de nosso amor primário, cujo exagero nos faz entender a força irresistível da imagem de animais fofinhos, desamparados e supremos em sua disponibilidade para receber e oferecer a nossa mera presença como um presente. Metáfora do outro que um dia fomos, ou que gostaríamos de ter sido. Quando tomamos a inversão entre amar e odiar, entendemos por que podemos dirigir nosso ódio aos animais, exercendo sobre eles crueldade impiedosa, voracidade instrumental e ambição de domínio. Metonímia do que não suportamos em nós mesmos. 

Contudo, quando falamos da oposição entre amor e indiferença, não estamos nem no totemismo metafórico nem no animismo metonímico, mas no cruzamento contingente de nossas perspectivas humanas, com uma espécie de destino comum e inumano. Desta feita, eles nos ensinam algo sobre nosso próprio limite que nos constitui, nos abrindo para formas de amor ainda não descobertas.

Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP)

Este artigo foi publicado originalmente na edição de março de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/2mXdzU7

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